segunda-feira, 29 de julho de 2013

Hóstia é usada em despacho no cemitério de Cambé, em Londrina PR

 O uso de uma hóstia em um despacho encontrado recentemente no cruzeiro do Cemitério Municipal de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) provocou polêmica entre a comunidade católica da cidade. A situação exigiu a intervenção do padre Amaury José Domingues.
"Uma ministra da Igreja me comunicou que haviam presenciado esse trabalho no Cemitério Municipal. Eu fui e retirei a hóstia daquele lugar. Aí percebi também que havia o nome de uma pessoa debaixo da hóstia", contou o padre, sem revelar o tal nome. "A hóstia estava sobre um guardanapo branco, junto com várias pipocas. Tinha também velas em volta."
O padre ressaltou que não pode afirmar se a hóstia saiu ou não de sua igreja, e nem se ela já tinha sido consagrada. "Os nossos ministros de Eucaristia já pegaram algumas pessoas saindo da missa com hóstias", admitiu.
Há mais de 20 anos servindo a Igreja, padre Domingues assegurou jamais ter se deparado com "algo tão espantoso envolvendo o símbolo religioso". "Já trabalhei na Bahia e estou há dez anos à frente da Igreja Matriz de Cambé. Durante esse tempo eu já tinha ouvido falar nesse tipo de trabalho, mas nunca vi coisa parecida", comentou.
Apesar do uso da hóstia no ritual, o padre não crê que o trabalho tenha sido feito para prejudicar a religião. "Mesmo assim, para nós católicos, essa situação é encarada como profanação de um símbolo religioso. Depois da missa, a hóstia se torna a consagração do corpo de Cristo", explicou, completando o que poderá acontecer caso o responsável seja identificado. "De acordo com o livro de código de direito canônico, se algum sacerdote ou fiel for identificado e comprovada a sua participação, ele sofre a excomunhão. Não é uma punição, mas a pessoa é desligada da Igreja." O padre preferiu não abrir nenhuma investigação interna nem registrar queixa na Polícia.
Preocupação
Além do constrangimento, o padre de Cambé admitiu estar receoso com o episódio. "O que me preocupa é o fato da pessoa procurar e acreditar que vai conseguir alguma coisa com esse tipo de coisa. Para nós, tudo acontece simplesmente pela fé."
Para o líder católico, a motivação pode ser passional. "Os objetivos podem ter sido os mais diversos. Entre eles, o interessado pode ter acabado com o casamento e estar querendo voltar com a ex", cogitou.
Por Paulo Monteiro  Equipe Nosso Dia
Enviado por Adelson - Londrina PR
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Combate ao Demônio: Único Padre exorcista do RJ explica técnicas do ritual


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 "O exorcismo não é mágica. Ele é um processo de conversão, de mudança de vida. É um tratamento que pode durar um mês ou muitos anos", explica padre Geovane Ferreira, 35, o único religioso do Estado do Rio de Janeiro autorizado pelo arcebispo Dom Orani João Tempesta a praticar o exorcismo.
Há onze anos, o padre comanda a Paróquia Sagrada Família, na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, zona norte da capital fluminense. Segundo ele, existem duas formas de se fazer o exorcismo: uma em menor escala, na qual é possível alcançar a cura com orações de libertação, e outra maior, em que é necessário um ritual.
A primeira ocorre para casos de opressão, quando "aquela voz [interior] fica te levando a pensar e agir mal", e de obsessão, no qual as pessoas são obsessas "por dinheiro ou por prazer". Já o exorcismo maior é feito por conta de possessão do demônio.
"O demônio toma todo o corpo da pessoa. Ela muda de voz, fala línguas que nunca estudou e começa a saber coisas ocultas. Uma das técnicas que a gente faz, quando quer saber se a pessoa está possuída, é esconder alguma coisa dentro do bolso e perguntar ao demônio o que é", explicou o padre. "Se ela realmente tiver o demônio, ela vai dizer. Se for só a pessoa, ela nunca vai saber."
Antes de o exorcista atender o paciente, o religioso explica que há uma análise do caso, por parte de membros da igreja e de uma equipe formada por psiquiatras, psicólogos e neurocirurgiões. Após a comprovação da possessão do demônio, o padre está autorizado a fazer o ritual.
"A sessão é feita em lugares reservados, por um exorcista, com a ajuda de pelo menos um psicólogo e um neurocirurgião ou profissional médico para analisar o que está acontecendo. O corpo pode passar mal, ter algum distúrbio de pressão alta, de desmaio. Às vezes é necessário que alguém segure a pessoa para que ela não se machuque", disse. "Há casos em que a pessoa começa a bater a cabeça na parede, no chão."
Durante o ritual, que não tem tempo estimado de duração, o padre se veste com uma estola e usa crucifixo, água benta, óleo e sal exorcizados. É necessário que o paciente aceite participar. "A família pode até trazer, mas para ter a libertação, é necessário que a pessoa queira", diz o padre.
"Toda possessão [pelo demônio] tem que ter o querer da pessoa. Em algum momento, ela tem que dizer: "Eu quero". Deus nos fez livres", explica o religioso. "O demônio só pode nos tomar essa liberdade se a gente deixa. Pode ser por um pecado, por um desejo pessoal, por um pacto com o demônio. Muitas pessoas pedem que o demônio dê dinheiro."
Nos anos 60, houve uma atualização do manual com o que havia de novo na ciência, segundo padre Geovane, que trabalha com exorcismo desde 2005. Há dois anos, ele estudou o tema em um curso de duas semanas que fez em uma universidade católica, em Roma.
"Comecei acompanhando padre Nelson [Rabelo, 92, antigo exorcista do Rio de Janeiro], em 2005. Rezava, ficava ao lado só para estar junto. Quando ele ficou doente, há quatro anos, eu comecei a atender oficiosamente", explicou o padre Geovane. "O bispo viu que era um dom de Deus e me chamou para ser exorcista. Fui para Roma fazer o curso e voltei pertencendo ao Conselho Internacional dos Exorcistas e exercendo o exorcismo oficialmente."
Na Itália, o religoso participou de um ritual de exorcismo como ajudante. No Rio de Janeiro, o religioso conta que não tratou de nenhum paciente. Ainda. Ele espera, para as próximas semanas, o laudo final da equipe de psicólogos, psiquiatras e neurocirurgiões que vai dizer se um homem que frequenta a paróquia tem esquizofrenia ou possessão pelo demônio. Os profissionais que trabalham com o padre não são fixos. Eles são conhecidos que o ajudam quando chega um caso. "Um deles não é nem católico", afirma.
Em São Paulo, padre Geovane foi chamado há alguns anos para tratar de um homem. "Atendi, durante um mês, um caso em São José do Rio Preto [SP]. O rapaz era satanista e comia vísceras de bebês mortos. Não sei onde e nem como ele comprava, mas ele fez um pacto com o diabo, comeu vísceras, fez oferenda de vários animais e disse que queria pertencer ao demônio", lembra o padre. "Ele tinha uma força muito grande, 20 homens não conseguiam contê-lo. Ele conseguia falar alemão, francês e italiano, sem nunca ter aprendido. Não falava português direito. Ele sabia de coisas escondidas, de pecados de várias pessoas que estavam presentes e que ninguém sabia. Hoje ele dá testemunho e está totalmente liberto."
Conselho Nacional dos Exorcistas
Nas últimas semanas, além dos trabalhos na comunidade da Maré, ele também está envolvido com a preparação da Jornada Mundial da Juventude. Cerca de 68 pessoas que trabalham como voluntárias durante o evento, provenientes de vários Estados do Brasil, estão hospedadas na paróquia.
Assim que a Jornada acabar, Padre Geovane conta que continuará a fazer um trabalho que parou por conta do evento. Junto a mais quatro padres do Brasil, ele está procurando outros exorcistas em cada diocese do país. Segundo ele, há mais de 300 dioceses no Brasil, e a dificuldade de se contactar com elas é imensa, pois muitas não têm sequer telefone. O objetivo do grupo é achar todos os padres que praticam o exorcismo no país, reuni-los e formar um Conselho Nacional dos Exorcistas.
"Na Itália, existe um programa de televisão, no qual o exorcista fala sobre o assunto e explica como funciona. No Brasil, falar de exorcismo é um tabu. Tudo aquilo que você não conhece direito se torna nebuloso", explicou. "Durante muito tempo, se pensou na não existência do demônio, não na existência do mal. A sociedade da América Latina quis responder a muitos problemas apenas com a psiquiatria e a psicologia. O demônio ficou muito mal pensado."
Rio: briga entre bem e mal
Durante os últimos 11 anos trabalhando dentro do Complexo da Maré e às margens da Linha Vermelha, uma das vias expressas mais importantes para quem chega à capital fluminense, o padre conta que nunca teve problemas com o tráfico de drogas do local. "Eles nos respeitam muito, nunca fizeram nada contra a gente."

Fonte: UOL noticias

São Maximiliano Kolbe: O Santo que esteve no Inferno (Auschwitz)


(Texto escrito com base no livro O Santo que esteve no Inferno, de Ivo Montanhese)
Salve Maria!
Este texto trata de uma parte da vida deste famoso santo, São Maximiliano Kolbe, que muito sofreu durante as perseguições nazistas na Polônia e bastante mais ao chegar junto ao comboio de prisioneiros ao campo de concentração de Amtitz, onde lá conheceu o terrível campo de concentração em Óswiecin, que os alemães chamavam de Auschwitz – o campo de concentração mais terrível do domínio nazistas, repleto de horrores, humilhações, trabalhos contínuos e forçados e com alimentação extremamente miserável.
Em Auschwitz, os prisioneiros sofriam como se fossem animais – judeus, mulheres, idosos, crianças, sacerdotes… todos passavam fome e frio, viviam numa triste promiscuidade e, diariamente, sofriam pela prepotência dos guardas que os tratavam a pontapés e chicotadas. Homens que um dia foram exemplares cidadãos, tornaram-se ladrões que furtavam seus próprios companheiros de infortúnio: roubavam pedaços de pão que os seus companheiros escondiam debaixo dos cobertores e delatavam os mesmos aos guardas. As mulheres prisioneiras que um dia foram exemplares mães de família se prostituíam por um pedaço de pão ou um pouquinho de sopa. Se entregam às mais degradantes orgias por não terem mais a mínima esperança em escapar daquele inferno.
Procurarei escrevê-lo da forma mais compreensível, com base nos trechos mais importantes do livro. Não deixe que a preguiça o impeça de ler este resumo.
- 19 de setembro de 1941

Além dos judeus, os sacertores católicos incomodavam Gestapo (polícia do regime nazista), porém, havia um frade franciscano polonês que muito a incomodava. O nome do frade era Maxiiliano Kolbe, que vivia no convento de Niepokalanów (que significa Cidade da Imaculada). Naquele dia, a Wehrmacht (em alemão significa Força de Defesa, nome do conjunto das forças armadas que serviam ao Terceiro Reich) se apresentou às portas do convento ordenando que todos os frades deixassem imediatamente a casa sem levar nada além da roupa que usavam no corpo. No convento deveria ficar apenas dois frades: um enfermeiro e um ajudante para que cuidassem dos feridos. Os frades pediram para que seu superior, frei Maximiliano Kolbe, ficasse para ajudar os feridos, mas ele não quis ficar e partiu com o grupo.
 - Então, no dia 24 de setembro de 1941, Frei Maximiliano Kolbe junto aos seus companheiros frades chegaram ao campo de concentração de Amtitz, onde lá tiveram uma prévia do inferno que iriam sofrer.
Em toda sua permanência como prisioneiro, Frei Maximiliano Kolbe animava os prisioneiros com palavras de conforto e carinho e sempre pedia que tivessem confiança na Imaculada Virgem Maria. Ele animava-os e dava-lhes coragem para se manterem firmes naquele lugar tenebroso. Frei Maximiliano demonstrava tamanho carisma que os guardas alemães ficavam completamente desconcertados vendo aquele frade magro os olhar com tamanha doçura, sempre demonstrando um sorriso nos lábios não obstante a visão que teve de seu futuro, que previa não estar muito distante e que seria ainda mais sofrido. Mesmo assim, Frei Maximiliano ainda dava medalhas da Imaculada aos guardas – não por motivo de zombaria – e estes se mostravam, mesmo que poucas vezes, mais humanos.
Apesar de tantos tormentos que ali sofriam, o verdadeiro tormento ainda estava por vir.
- Frei Maximiliano Kolbe, certa vez, falou a seus confrades religiosos: “Coragem, meus filhos! Nossa missão está para terminar. Vamos aproveitar esses poucos dias que ainda temos para nossa missão. A Imaculada vai nos ajudar!” E, enfim, foram postos em liberdade no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada conceição de Maria!

Porém, ele sabia que esta guerra ainda não tinha acabado para ele. Lembrou da coroa vermelha que lhe foi apresentada em sonho e que esta escolheu. Seu futuro na terra seria de sofrimento…
(Entrada do campo de concentração de Auschwitz, escrito Arbet Macht Frei, traduzindo do alemão significa (ironicamente!) O trabalho liberta.)
- A Gestapo volta a bater nas portas do convento procurando, diretamente, pelo Frei Maximiliano Kolbe. Ao abrir a porta aos soldados, o Frei os saúda, dizendo: “Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!”

 
Frei Maximiliano foi preso com mais quatro padres, na qual, somente dois desses sobreviverão. Ele sabia que nunca mais voltaria para sua tão querida Niepokalanóv.
O primeiro destino do Frei foi Varsóvia, na prisão de Pawiak. A prisão diariamente se enchia e se esvaziava, porque milhares de poloneses eram fuzilados em seus pátios.
Como eram vários os países que eram destruídos pelo poder nazista, o número de prisioneiros não parava de aumentar. Por isso, foram construídos muitos campos de concentração, como o de Ravensbrück, Dachau, Buchenwald, Amtitz, Gross-Rossen, Dora, Mauthausen, Treblinka, Sobibor, Majdanek, Bergen-Belsen e a infernal Auschwitz.
- Certa vez, Frei Maximiliano Kolbe foi fortemente espacando pelo chefe da SS quando o mesmo, puxando o rosário pendurado na cintura do hábito franscicano do Frei Maximiliano, perguntou-o vociferando com palavras de baixo calão, se ele acreditava naquele rosário. Frei Maximiliano não enfraqueceu e sempre que respondia “Sim! Eu acredito!”, recebia uma saraivada de socos no rosto e chutes em todo o corpo. Cada vez que o Frei era violentado brutalmente pelo nazista, mais ele respondia “Sim! Eu acredito!”, proclamando sua profissão de fé como um verdadeiro sacerdote católico.
Raramente os prisioneiros podiam escrever cartas para seus familiares e muitas delas ainda eram censuradas. Segue abaixo uma carta escrita pelo Frei Maximiliano aos seus confrades religiosos, com palavras de amor e de esperança na Virgem Mãe Imaculada:
“A Imaculada, nossa Mãe amorosa, sempre nos rodeou de cuidados e de ternura e velará sempre… Por que vocês se preocupam, meus filhos? Nada de mal nos pode acontecer, se Deus e a Imaculada não o permitirem. Deixemo-nos conduzir por ela cada vez mais docilmente  para onde ela nos quiser levar seja qual for seu desejo, a fim de que, cumprindo nosso dever, possamos através do amor, salvar todas as almas“.
Esse era o desejo do Frei… salvar todas as almas!
Essa foi sua última carta escrita.
- De Varsóvia, os prisioneiros partem para a Estação Norte nos vagões do trem, dirigindo-se para Óswiecim. Chegando lá, são separados em dois grupos: um será o grupo que irá prestar trabalhos e o outro… que será para um trágico fim: morrer na câmara de gás. Este separado por desvalidos, doentes, mulheres e até crianças. Frei Maximiliano Kolbe mesmo debilitado e bastante magro segue para o grupo de prisioneiros que prestará trabalhos nos campos de concentração, como carregar pedaços de madeira ou o que quer que os guardas nazistas mandem fazer.
- Maximiliano Kolbe é enviado para o Bloco 14 no campo de concentração de Auschwitz e passa a ser chamado não pelo seu nome, mas sim pelo seu número… 16.670. “Aí se sofre uma fome horrível. Uma fome que dá cãibras no estômago, que faz o ventre queimar como fogo. Um calor insuportável ou um frio de enregelar”.
- O próximo fato que contarei será o início do martírio de Frei Maximiliano Kolbe…

Certa vez, ao voltarem (prisioneiros) de um dia de trabalho desumano, eles iam entrando no pavilhão que servia de dormitório enquanto alguém ia contando o número de prisioneiros que passavam pela porta. A quantia estava errada. Faltava um prisioneiro. O chefe fala que se tal prisioneiro não aparecesse até a tarde do outro dia, 10 daqueles miseráveis prisioneiros iriam para no bunker da fome.
Ora, levando em conta a situação em que se encontravam, morrer por fuzilamento seria um privilégio, pois deixariam de sofrer todos aqueles infortúnios do Campo. Até mesmo ser enforcado não os fazia medo. Mas o bunker podia deixar qualquer um que tivesse coragem em enfrentar as atrocidades e crueldades dos nazistas sem dormir de tanto temor. Agonizar por dias de fome e sede no bunker era algo apavorante!
Frei Maximiliano pensou: “Como alguém pode ter a coragem de fugir sabendo que dez de seus companheiros irão ter a morte mais horrenda? Como estaria a consciência desse homem?”
O Frei reconheceu a fraqueza daquele homem diante de tanto sofrimento, rezou por ele e o perdoou pela traição.
A hora chegou e o prisioneiro fugitivo não apareceu. Os guardas nazistas começaram a escolher quem iria para obunker da morte. Um homem, o sargento Franceszek Gajowniczke (o homem da foto abaixo com o Papa João Paulo II) ao ser escolhido entre os 10 condenados, chora gritando: “Minha esposa, meus filhinhos. Nunca mais poderei ver minha esposa e meus filhinhos!..”
 


Todos os prisioneiros notam que alguém tinha saído do grupo e começado a andar em direção ao Comandante Fritsch. “Quem seria louco de fazer isso?!” imaginavam…
Era Frei Maximiliano Kolbe que se aproximava de Fritsch. Falou baixo que quase não podiam escutar:
“Eu gostaria de morrer no lugar de um destes condenados”.
Isso era algo que Fritsch jamais virá em sua vida, ficando perpléxo com o pedido do padre. Ele pergunta ao frei quem ele era… repondendo: “Sou um sacerdote católico”.
(não irei entrar muito em detalhe nessa cena, contando sobre a reação dos nazistas nessa situação)
Fritsch concede o pedido do Frei e libera Franceszek da condenação ao bunker em troca do sacerdote católico 16.670.

“Durante todo o tempo como prisioneiro, no campo de concentração ou no hospital, quantas vezes repartiu com os outros sua minguada porção de alimento, até mesmo privando-se totalmente de sua ração, dando-a aos mais fracos, alegando não ter fome, não precisar dela. Mas nesses tremendos dias não tem nada para repartir. Se fosse possível, daria seu sangue, sua carne. Se pudesse…”
Frei Maximiliano há algum tempo estava muito feliz… bastante feliz! Em sonho lhe foi prometido o céu pela Imaculada! Contou, certa vez, isso aos seus confrades. Porém, havia um outro segredo que não lhes tinha contando ainda. Seria a certeza de seu martírio?
Ele exortava os seus frades: “Exijo que vocês sejam santos. Santidade não é um luxo. É uma exigência da vida cristã.”
Em meio a fome crescente no bunker e a sede que os fazia secar a cada hora, Frei Kolbe nunca deixou de acolher seus companheiros com palavras de carinho e esperança. Sempre oferecia suas dores e sofrimentos à Imaculada. E assim os homens que ali sofriam fazia o mesmo, sendo guiados por Frei Maximiliano a não deixarem de rezar e pedir a Deus forças em seus sofrimentos.
Aqui conta um relato do prisioneiro Borgowiec. Ele exercia a função de levar ao forno crematório os corpos do mortos, pois os soldados alemães da SS não se aventuravam em entrar naqueles antros pestilenciais, onde até o ar era contaminado. Borgowiec sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz e contou detalhes do que acontecia naquele lugar infernal. (a seguir, segue um relato bastante forte!)
“No bunker  não havia vaso sanitário nem esgoto para os condenados. Uma lata seriva de vaso sanitário, onde eles podiam fazer suas necessidades. Borgowiec era o encarregado de, todas as manhãs, pegar aquela lata e despejar os dejetos humanos.
Mas do quarto dia em diante foi dispensado dessde trabalho, pois quando foi pegar a lata ela já estava vazia… Todos os dias ela estava vazia.”
Dia a dia dentro do bunker, Frei Kolbe dava a absolvição geral aos que não suportavam mais as dores e encaminhava suas almas à misericórdia de Deus. Frei Kolbe sofria calado. Já chegara o 8º dia dentro do bunker. O martírio que sempre desejou acontecia. A coroa vermelha pairava sobre sua cabeça. E ele dizia: “Minha Mãe, não faltasse com tua promessa. Agora sinto que o céu me está bem próximo!” Isso dava-lhe forças para animar também seus companheiros.
Já se passavam doze dias de encarceramento naquele inferno, mas Frei Kolbe ainda se mantinha de pé ou de joelhos. Mesmo ele que parecia ser o mais fraco entre todos, com apenas um pulmão devido a tuberculose. Era um esforço sobre-humano. Provavelmente, isso seria uma graça que pedia a Imaculada, para que o mantesse vivo para acompanhar seus companheiros e os enviar aos céus.
Enfim, no 14º dia de confinamento no bunker da morte, um dia antes da festa da Assunção da Imaculada, seus nove companhaeiros já tinham partido, todos com a benção do Frei Kolbe para serem recebidos nos céus. Já era a hora de Sua Mãe Imaculada vir buscá-lo e levar seu filho amado para celebrar sua glória no céu.
Borgowiec estava presente. Ele diz que os outros corpos estavam imundos, enquanto o corpo do Frei Maximiliano estava limpo, e até brilhava. Afirmou: nunca irei esquecer a impressão que me causou.
Em 10 de outubro de 1982, na presença de Franceszek Gajowniczke, cujo lugar tomou para sofrer no terrível bunker da morte de Auschwitz, Frei Maximiliano Kolbe foi canonizado pelo Papa João Paulo II, aceitando o martírio heroicamente pelo seu múnus sacerdotal, ajudando os condenados dos campos de concentração a terem uma morte virtuosa e proclamando seu amor a Imaculada, sua fonte de forças para resistir até a última alma que pôde salvar.

Por tudo isso, vemos em São Maximiliano Kolbe o verdadeiro amor ao Nosso Senhor Jesus Cristo e a Sua Santíssima Mãe, a Virgem Imaculada e o verdadeiro dever de ser Sacerdote Católico!
São Maximiliano Kolbe, rogai por nós!

(Este texto escrevi na intenção do Ir. Rodrigo Maria, da ordem dos Franciscanos da Imaculada. Que Ela, a Imaculada, esteja sempre com você e você sempre com Ela, meu querido irmão.)
(Texto escrito com base no livro O Santo que esteve no Inferno, de Ivo Montanhese, em caso de cópia, favor reproduzí-lo por completo, até as intenções)

Fonte: Site Amor Mariano  - Visita Recomendada

Santos e demônios: Santa Gema Galgani


n/d
Santa Gema Galgani

(Por Padre Germano de Santo Estanislau, CP - tradução do Padre Matos Soares)
"Para purificar os Seus escolhidos e fazer deles vítimas de expiação, Deus serve-Se muitas vezes de satanás que, com o seu ódio ao homem, é em Suas mãos o instrumento mais ativo. A Santa Escritura e sobretudo os registros da hagiografia oferecem-nos exemplos numerosos desta conduta da Providência Divina.
Quando o Senhor quis elevar São Paulo da Cruz a um grau mais eminente de santidade, disse-Lhe no íntimo da sua alma: 'Fazer-te-ei calcar aos pés pelos demônios'. Gema ouviu também um dia palavras semelhantes: 'Prepara-te, minha filha; por minha ordem o demônio vai declarar-te guerra e dar, por esta forma, o último retoque à obra que realizei em ti'.
Podemos dizer que esta guerra foi geral, isto é, dirigida contra cada uma das virtudes e práticas por meio das quais a jovem virgem se esforçava em caminhar para Deus. Todas desagradavam ao anjo do mal, que as atacou com ódio feroz. Dir-se-ia que, no exercício do seu tenebroso império, não tinha outra preocupação senão perseguir esta pobre menina e procurar meios de a assaltar com tentações.
A oração é o alimento vital da santidade, o supremo caminho que conduz ao Soberano Bem. Desde há muito que Gema a amava e praticava com todo o ardor da sua alma e devia-lhe bens inapreciáveis. O que não fez satanás por afastar a donzela da oração! Nada podendo conseguir com as suas inspirações perversas, provocava-lhe violentas dores de cabeça que teriam levado uma alma menos enérgica antes à indolência e ao repouso que à oração; experimentava mil outros meios para a desviar deste exercício divino. 'Oh!' dizia-me ela, 'que tormento para mim o não poder orar! Que fadiga eu sofro! E que esforços faz esse velhaco (assim chamava ao demônio) para me tornar a oração impossível! Ontem à noite queria matar-me, e te-lo-ia feito se não fosse a rápida intervenção de Jesus. Eu estava desfalecida, tinha bem gravado na minha alma o Nome de Jesus, mas não me era possível proferi-lo com a língua”
Algumas vezes o infernal inimigo tentava triunfar de um só ímpeto por meio de sugestões ímpias. ‘Que fazes tu, lhe dizia, és louca de orar a um malfeitor? Vê como ele te atormenta e te conserva consigo sobre a cruz. Porventura podes amar quem não conheces e quem trata tão duramente os seus melhores amigos?’ Estas blasfêmias não eram mais que poeira lançada ao vento, mas afligiam profundamente a alma terna e amante, obrigada a ouvir ultrajar assim o seu adorável Jesus.
No meio de tantos sofrimentos, a pobre menina procurava algum conforto no seu pai espiritual, apresentava-lhe as suas dificuldades, implorava conselho e direção. Este humilde e filial recurso não agradava ao espírito das trevas, que via assim diminuir as suas já tão pequenas probabilidades de êxito. Usou de mil artifícios para isolar na luta a Serva de Deus, afastando-a do diretor espiritual. Pintou-lho com as mais desprezíveis cores: como ignorante, um fanático, um iludido. ‘Nos últimos dias, escrevia-me ela, o maldito fez-me ‘boas’ [peças]. Este monstro queria privar-me do meu guia e conselheiro para me perder; não tenho, porém, receio de que o consiga.’
Parece que esta confiança em Deus deveria desarmar satanás, mas não desarmou. Perante a inutilidade de suas pérfidas insinuações, recorreu à violência física. Logo que Gema tomava a pena para me escrever, tirava-lha das mãos e rasgava o papel; algumas vezes, agarrando-a pelos cabelos, arrancava-a de junto da mesa com tal raiva que lhe ficavam nas mãos brutais madeixas inteiras; e ao mesmo tempo uivava com voz furiosa: ‘Guerra, guerra a teu pai espiritual, guerra enquanto ele estiver no mundo!’ Seja-me lícito dizer, aqui só entre nós, que nunca passou das palavras. ‘Acreditai-me, Padre, dizia Gema, ao ouvi-lo, vê-se que este velhaco odeia muito mais a vós do que a mim.’
O demônio levou a audácia até ao ponto de tomar as aparências do seu confessor ordinário. Um dia acabava a menina de entrar na igreja e preparava-se, esperando pelo sacerdote, para a recepção do sacramento da Penitência. Mas qual não foi o seu espanto ao vê-lo imediatamente no seu posto, sem que pudesse saber por onde é que tinha entrado! Sentiu uma grande perturbação interior, que era nela indício infalível da presença do espírito maligno. Entretanto aproximou-se e começou a confissão. A voz que ouvia era realmente a do confessor ordinário, mas as palavras eram escandalosamente indecentes e acompanhadas de atos desonestos. ‘Meu Deus, exclamou Gema, que é isto e onde estou eu?’ A pura menina, tremendo dos pés à cabeça, permaneceu por um instante estonteada, depois sossegou, levantou-se, saiu do confessionário e verificou então que o pretendido confessor tinha desaparecido, sem que nenhuma das pessoas presentes o visse ir.
Não havia dúvida: o demônio procurava com este artifício grosseiro surpreender a santa menina ou pelo menos tirar-lhe toda a confiança no ministro de Deus.
Tendo falhado este golpe, tentou outro. Apareceu sob a forma de um belo anjo resplandecente de luz e cheio de solicitude pela sua felicidade. Como com Eva no paraíso terrestre, empregou a mais sutil astúcia para conseguir enganá-la. ‘Olha para mim, dizia ele, posso tornar-te feliz; jura somente que me obedecerás.’ Gema, que desta vez não tinha sentido a perturbação reveladora da presença do demônio, ouvia tranquilamente. Mas, logo às primeiras propostas criminosas do espírito perverso, os olhos se lhe abriram e ela se pôs na defensiva. ‘Meu Deus, Maria Imaculada, exclamou a princípio, vinde em meu auxílio!’ Depois, avançando resolutamente para o anjo disfarçado, escarrou-lhe na cara. Desapareceu imediatamente sob a forma duma grande chama vermelha, deixando no assoalho do quarto um montão de cinza.
Algum tempo depois, novo assalto. ‘Ouvi, Padre: escrevia-me Gema, ontem entrava eu em casa, depois de ter me confessado. Aproveitando o momento de solidão, pus-me de joelhos para recitar a Coroa das Cinco Chagas. Ia a chegar à quarta Chaga quando vi diante de mim uma pessoa muito parecida com Jesus. Estava flagelado de há pouco e do seu coração aberto corria sangue em abundância. Disse-me: ‘É assim, minha filha, que me correspondes? Considera o estado em que me encontro. Vês como sofro por ti? E não podes continuar a consolar-me com essas penitências? E no entanto era bem pouca coisa; podias muito bem retomá-las. – Não, não respondi, quero obedecer e desobedeceria se vos atendesse. – Mas enfim, o confessor que tas proibiu foi esse... Ora, tu de nenhum modo estás obrigada a obedecer-lhe. – E acrescentou muitas mais coisas. Nestes perniciosos conselhos reconheci satanás, e estava para tomar a disciplina, como das outras vezes em iguais circunstâncias, quando me senti diferentemente inspirada. Levantei-me, lancei-lhe água benta e desapareceu. Recuperei então a paz, não sem ter recebido alguns golpes com que a besta vil me gratifica de tempos a tempos.’
Não obtendo outra coisa, o espírito do mal procurava assim levar Gema, contra a proibição do diretor espiritual, a penitências prejudiciais à saúde.
Para protegê-la contra as visões maléficas, ordenei-lhe que a cada aparição sobrenatural exclamasse: Viva Jesus! Nosso Senhor, sem eu o saber, tinha-lhe dado um conselho quase igual. Gema devia dizer: Benditos sejam Jesus e Maria. A dócil menina, para obedecer a ambos, juntava as duas exclamações. Os bons espíritos repetiam-nas sempre, mas os maus ou não respondiam ou se limitavam às primeiras palavras: Viva, benditos. Por este sinal eram reconhecidos, e Gema escarnecia deles.
Com a esperança de lhe inspirar o orgulho, o demônio mostrava-lhe algumas vezes em sonhos, ou mesmo estando acordada, uma procissão de pessoas vestidas de branco que se aproximavam piedosamente do seu leito para a venerar. Descobria-lhe também que as cartas para seu pai espiritual eram religiosamente conservadas com o fim de servirem um dia à sua glória, etc., etc. Vãs tentações, a Serva de Deus era suficientemente humilde para não se deixar levar como Eva pela sedução da vaidade.
Supondo abalar talvez a sua grande confiança em Deus, o maldito aproveitava as ocasiões tão frequentes de abandono e de cruel aridez espiritual para aumentar em sua alma o horroroso temor da condenação. ‘Não vês, lhe dizia, que Jesus não te escuta, que já te não quer conhecer? Para que afadigar-te em correr após ele? Só te resta resignar-te com a tua desgraçada sorte.’ Para os santos foi sempre esta tentação a mais angustiosa. Gema experimentava-lhe toda a violência; mas habituada a recorrer a seu Deus, apesar de tudo e em todas as circunstâncias, com a mais viva fé, como uma criança recorre a seu pai, depressa recuperava a serenidade. Por isso podia dizer-me: ‘Este celerado cansa-se; quereria ... Mas Jesus com suas palavras inspirou-me tal tranquilidade que todos os esforços diabólicos não poderiam tirar-me a confiança por um só momento.’
O anjo da soberba, furioso de ver que toda a sua astúcia se malograva aos pés duma humilde donzela, em ultimo recurso tirou definitivamente a máscara, passando a atos de violência. Aparecia-lhe sob as formas horríveis dum monstro ameaçador, dum homem feroz, dum cão raivoso. Depois de ter assim procurado aterrorizá-la, precipitava-se sobre ela, batia-lhe, rasgava-lhe a pele, atirava-a dum lado para outro no quarto como se fora uma rodilha; arrastava-a pelos cabelos e martirizava de todas as maneiras possíveis os seus inocentes membros. E não julguemos que tudo isso se limitava a impressões puramente imaginárias, porque os efeitos sobre o corpo da vítima persistiam por muito tempo: cabelos arrancados, carnes lívidas, ossos quase esmagados, dores atrozes. Algumas vezes ouvia-se o barulho das pancadas, via-se o leito mudar de lugar e elevar-se da terra para cair bruscamente. Estes vexames duravam sem interrupção horas inteiras e algumas vezes toda noite.
Deixemos gema falar a este respeito. A simplicidade do seu estilo e a ingênua sinceridade da sua alma dispensam-nos de fazer comentários. ‘Hoje, que me julgava livre desta besta vil, fui muito molestada por ela. Ia para me deitar, esperando poder dormir; não sucedeu, porém, assim. A princípio recebi uma pancada das mais terríveis, de que pensei morrer. O malvado tinha a forma dum grande cão negro, e punha-me as patas sobre os ombros. Tratou-me de tal modo que em um dado momento supus ter os ossos todos quebrados. Pouco depois, como eu tomasse água benta, torceu-me o braço com extrema violência e caí em dor. Os ossos estavam completamente deslocados, Jesus, porém, veio repô-los no seu lugar, tocando-os, e tudo ficou remediado.’ Em outra carta: “Também ontem o demônio me afligiu. Minha tia mandou-me que fosse encher os jarros do quarto. Ao passar com os jarros na mão, diante da imagem do Coração de Jesus, dirigi-lhe com amor uma prece fervorosa; imediatamente senti darem-me sobre os ombros uma bastonada tão forte que cai por terra, sem nada quebrar. Ainda hoje me sinto muito mal e menor trabalho me causa dor.”
A santa menina escrevia-me ainda: “Acabo de passar, como de costume, uma noite má. O demônio apresentou-se diante de mim sob a figura de um imenso gigante e bateu-me durante toda a noite, dizendo: para ti já não há esperança de salvação, estás em meu poder. Respondi que nada temia porque Deus é misericordioso. Então, espumando de raiva, deu-me uma grande pancada na cabeça e desapareceu gritando: maldita sejas. Fui para o quarto repousar um pouco, mas tornei a encontrá-lo lá. Começou de novo a bater-me com uma corda toda aos nós. Batia-me por eu me opor a fazer o mal que sugeria. Não, lhe dizia eu; e ele redobrava as pancadas, batendo-me violentamente com a cabeça no chão. De repente tive a lembrança de implorar o auxílio do divino Pai de Jesus e exclamei: Pai Eterno, livrai-me pelo sangue preciosíssimo de Jesus. Imediatamente o velhaco deu-me uma pancada formidável, atirou-me abaixo da cama e fez-me bater a cabeça no chão com tanta violência que perdi os sentidos com a dor. Só muito tempo depois os recuperei. Demos graças a Jesus.”
Estas cenas repetiam-se muito frequentemente, e, em certas épocas todos os dias. A pobre padecente estava quase habituada a elas. Exceptuando as torturas corporais, podemos dizer que a vista do monstro infernal já não a atemorizava. Olhava-o com a mesma serenidade com que a pomba olha para um animal imundo. Gema algumas vezes entretinha-se a responder-lhe e a humilhá-lo, quando não estava proibida de o fazer; e, quando à invocação do Santíssimo Nome de Jesus, a hedionda besta se rolava por terra para fugir em seguida a toda pressa, a ingênua menina acompanhava-a com zombarias e francas gargalhadas. “Se vísseis, Padre, como ele fugia e tropeçava em sua fuga raivosa, ter-vos-ieis rido comigo.” Assistia eu uma ocasião à piedosa menina, gravemente doente e em perigo de vida. Sentado a um canto do quarto rezava tranquilamente o Breviário, quando um enorme gato muito preto e de aspecto terrificante me saltou impetuosamente para os pés. Deu uma volta pelo quarto, saltou para o leito da doente e colocou-se muito perto do seu rosto, fixando nela um olhar feroz. O sangue gelou-me nas veias; Gema, porém, permanecia muito serena. Então! Que há de novo? Lhe disse eu, ocultando o melhor possível a minha atrapalhação. – Não tenhais medo, Padre, é esse velhaco do demônio que quer molestar-me, mas não temais, a vós não fará mal nenhum. A tremer aproximei-me do leito, tomei água benta e aspergi-o. A visão desapareceu imediatamente, sem ter conseguido alterar por um só momento a paz profunda da doente.
A única coisa que aterrava verdadeiramente Gema era o receio de ceder às sugestões do inimigo e ofender a Deus. Embora nunca tivesse caído durante o passado, o perigo parecia-lhe iminente e conservava-a aterrorizada. Não esquecia nenhum meio de defesa: Cruz, relíquias dos Santos, escapulários, exorcismos, e, acima de tudo, recurso filial a Deus, a Maria Santíssima, ao Anjo da Guarda e ao diretor de sua alma. Escrevia-me: “Vinde depressa, Padre, ou ao menos daí fazei exorcismos, porque o demônio persegue-me por todos os modos; ajudai-me a salvar a alma, tenho medo de já estar nas mãos de satanás. Ah! Se soubésseis como sofro! Como ele estava contente esta noite! Agarrou-me pelos cabelos e puxava por eles dizendo: desobediência! desobediência! Quero concluir desta vez, vem, vem comigo! Queria levar-me para o inferno. Atormentou-me durante mais de quatro horas. Foi assim que se passou a noite. Tenho receio de o atender um dia ou outro e vir a desagradar a Jesus.”
Em algumas raríssimas ocasiões o Senhor permitiu ao demônio apoderar-se de todo o seu ser, ligar as potências da sua alma e perturbar-lhe a imaginação a tal ponto que se poderia julgar possessa. Causava dó vê-la neste estado miserável. Ela mesma tinha-lhe um tal horror que, só com lembrar-se dele, empalidecia e começava a tremer. “Ó Deus, dizia ela, estive no inferno sem Jesus, sem a divina Mãe, sem o Anjo! Se saí de lá sem pecado só a Vós o devo, ó Jesus. Apesar de tudo, estou contente, porque sofrendo assim e sofrendo sempre, faço a Vossa santíssima Vontade.” Se estes assaltos do demônio se tivessem repetido mais vastas vezes ou tivessem sido de mais longa duração, a pobre padecente, apesar de muito resignada, teria com certeza perdido a vida. A estas atribulações juntavam-se as dores de cruéis doenças, provocadas, como temos fortes razões para o crer, pelo próprio espírito infernal. E se refletirmos que Gema estava ao mesmo tempo miraculosamente associada a todos os tormentos sofridos pelo divino Redentor na Sua Paixão, teremos uma idéia da grandeza do martírio desta virgem heróica, que se tinha oferecido em holocausto ao Senhor.
Todavia, declarava-se feliz no meio deste mar de sofrimentos físicos e morais, feliz por se parecer assim com o Homem das Dores, por se elevar sempre mais nas puras regiões do amor divino e expiar pela sua parte os pecados do mundo.
Um dos dogmas mais consoladores da nossa crença é o dos Anjos Custódios. Depois do pecado original, o homem enfraquecido e miserável, tinha necessidade de auxílio e conselho para andar pelo caminho do bem e atingir o fim para que foi criado. Em Sua misericórdia infinita e paternal ternura, o Senhor veio em auxílio dos pobres filhos de Eva que queria salvar, colocando-os sob a proteção dos Anjos, ministros da Sua Côrte Celeste. Cada um de nós é assistido por um destes puros espíritos, que chamamos com razão o nosso bom Anjo. Toma-nos pela mão, logo que entramos na vida, para não mais nos deixar durante a nossa peregrinação pelo mundo. “Eis, diz o Senhor, que Eu envio o meu Anjo para ir adiante de ti, para te proteger no caminho e introduzir no lugar que te preparei.”
Se Deus provê com solicitude às necessidades de todas as Suas criaturas, tem um particular cuidado com as eleitas que, como Ele mesmo diz, Lhe são tão queridas como as meninas dos Seus olhos, e entre os escolhidos tem ainda preferências. Daí resultam os diferentes graus de importância da missão misericordiosa dos Anjos Custódios. Estando Gema predestinada para um grau muito elevado de glória e felicidade celeste, era natural e conforme à Sabedoria divina que o anjo proposto para a guardar tivesse com ela um cuidado muito especial. A graça que já se manifestava nesta alma ditosa por fenômenos tão prodigiosos, ia aumentar dum modo não menos prodigioso com a assistência do seu bom Anjo.
Quem não conhecesse pelos Sagrados Livros a tocante história de Tobias e pela hagiografia cristã a sua frequente repetição na vida dos Santos canonizados, seria tentado talvez a supor exagerados os detalhes maravilhosos que vou referir. Mas o Senhor prodigaliza todos os dias a Seus filhos bens muito preciosos sem que ninguém se lembre de Lhe dizer: por que Vos mostrais tão bom? Gema estava admiravelmente preparada para os favores do seu Anjo pelas mais belas virtudes: inocência, pureza, candura, simplicidade de criança, e, acima de tudo, fé muito viva que lhe deixava ver quase a descoberto os mistérios da eternidade. Com certeza o espírito celeste devia encontrar na sua feliz protegida alguma semelhança com a natureza angélica que lhe permitia, sem se rebaixar muito, conservar com ela relações familiares.
O mais maravilhoso neste suave comércio era a presença sensível e quase contínua do Anjo da Guarda.
Gema via-o com os olhos do corpo, tocava-o com as mãos, como se fosse uma pessoa viva, conversava com ele como com um amigo. Escrevia-me o seguinte: “Há seis dias que não vejo Jesus. Ele porém não me deixou completamente só; o Anjo da Guarda conserva-se sempre visível junto de mim.”
Com que fervor dava graças a Deus por este benefício, e testemunhava ao espírito protetor o seu reconhecimento! “Se alguma vez for má, querido Anjo, lhe dizia ela, não te zangues. Quero mostrar-te a minha gratidão. – Sim, respondia o celeste guarda, serei teu guia e teu companheiro inseparável. Não sabes Quem te confiou à minha guarda? Foi o misericordioso Jesus.” A estas palavras a santa menina, não podendo conter os sentimentos da sua alma, perdia os sentidos e entrava em êxtase na companhia do seu Anjo. O que se passava então ela mesma o conta por estas simples palavras: “Permanecíamos ambos com Jesus. Oh! Se estivésseis conosco Padre.” Permanecer com Jesus era mergulhar-se, com o espírito e o coração, no oceano imenso da Divindade para aí aprender e contemplar inefáveis mistérios. De ordinário, Gema e o Anjo da Guarda passavam os seus colóquios a orar juntamente ou a louvar o Altíssimo. Os Anjos, segundo um santo Doutor, deleitam-se em assistir às almas em oração. O arcanjo Rafael disse ao velho Tobias que durante as suas orações ele mesmo as oferecia secretamente ao Senhor.
Que objeto de complacência devia ser para o seu Anjo da Guarda esta admirável menina cujo coração, como a lâmpada do Santuário, velava sempre diante do seu Deus com extraordinária vivacidade de fé? Gostava de lhe aparecer, uma vezes ajoelhado ao seu lado, outras elevado da terra, com as asas abertas e as mãos estendidas sobre ela, ou juntas na atitude de orar. Recitavam alternadamente as orações vocais e os salmos, e, se diziam jaculatórias, “era [ele], segundo as próprias palavras de Gema, quem com mais força exclamava: Viva Jesus! Bendito seja Jesus! E outras afetuosas aspirações.”
Nas horas de meditação o Anjo infundia-lhe no espírito luzes altíssimas, dava ao seu coração suaves e fortes impulsos para que o santo exercício fosse perfeito, e, como a Paixão do Salvador era quase sempre o assunto da meditação, descobria-lhe os Seus profundos mistérios. “Considera, dizia ele, quanto Jesus sofreu pelo homem, considera uma por uma estas Chagas. Foi o amor que as abriu todas. Vê quão horrível é o pecado cuja expiação custou tanta dor e tanto amor.” Estes belíssimos pensamentos iam ferir o coração da donzela como outros tantos raios de luz e de fogo. Tendo assistido pessoalmente muitas vezes às orações e às meditações de Gema e do seu Anjo da Guarda, pude convencer-me, só pelas minhas observações exteriores, da realidade de todos os detalhes que ela me dava depois do exercício nas suas comunicações de consciência.
Notei igualmente que todas as vezes que ela levantava os olhos para o Anjo a fim de o ouvir ou lhe falar, mesmo fora da oração, perdia o uso dos sentidos. Nesses momentos podia-se picar, queimar sem que a sua sensibilidade fosse despertada. Mas vinha a si logo que afastava os olhos do Anjo ou cessava o colóquio. Este fenômeno renovava-se infalivelmente em cada uma das suas comunicações celestes, por mais próximas que fossem. Sempre e por toda a parte, no meio das ocupações, no caminho, mesmo à mesa, o Anjo esta à disposição de Gema e Gema à disposição do Anjo. Nenhum sinal exterior manifestava os seus santos colóquios, exceto a absoluta imobilidade da vidente e o brilho sobre-humano do seu olhar. Bastava tocá-la para nos convencermos, em atenção à sua insensibilidade, que estava fora dos sentidos e em relações com o sobrenatural. Estes colóquios respiravam muitas vezes a maior simplicidade, e a familiaridade do Anjo só tinha igual na do Arcanjo Rafael com o jovem Tobias.
“Dizei-me, meu Anjo, interrogava a donzela, o que tinha esta manhã o meu confessor para ser tão severo e recusar ouvir-me? E o Padre, responderá de Roma à carta urgente em que lhe peço uma regra de conduta sobre tal ponto? Dize-me, meu querido Anjo, quando é que Jesus me converterá este pecador por quem me interesso? Que devo responder a tal pessoa que me pede conselho? E o que vos parece de mim? Jesus está contente? Como poderei agradar-Lhe? O Anjo, acomodando-se com um encantadora condescendência a esta ingenuidade algum tanto importuna, respondia a tudo. E os acontecimentos não tardavam a mostrar a origem sobrenatural das respostas. Seria preciso um volume para referir estas diversas comunicações, mas talvez me fosse preciso um outro para defender a sua realidade, tão extraordinárias parecem muitas vezes e tão difíceis de aceitar pelo racionalismo contemporâneo.
Pode dizer-se, dum modo geral, que o Anjo da Guarda era para Gema um segundo Jesus. Ela expunha-lhe as suas necessidades e as dos outros, queria-o incessantemente junto de si durante os seus temores e sobretudo durante as lutas contra o infernal inimigo; confiava-lhe diversas mensagens para Deus, para a Virgem Santíssima, para os Santos seus advogados, dava-lhe até cartas fechadas e lacradas com destino a um ou outro destes advogados, pedindo-lhe que a seu tempo trouxesse a resposta, e a maravilha é que estas cartas eram levadas realmente por um ser invisível. Depois de ter tomado todas as precauções para me certificar da intervenção duma causa sobrenatural no seu desaparecimento, vi que me devia convencer de que neste ponto, como em outros não menos prodigiosos, o Céu, para assim dizer, queria brincar com uma menina, cuja simplicidade lhe era tão querida.
Muitas vezes encarregava o Anjo da Guarda dum negócio particular perante alguma pessoa deste mundo, e qual não era a sua admiração quando não via chegar a resposta! “E não obstante, escrevia ela, há já tantos dias que vô-lo mandei dizer pelo Anjo; como não fizeste caso? Ao menos podíeis mandar-me dizer por ele que não era vossa intenção ocupar-vos deste negócio. Em todo o caso não vos zangueis, insisto de novo por meio deste carta.”
Deste modo o mensageiro celeste encontrava-se constantemente preparado para o serviço desta jovem virgem de inefável candura. Além disso, prestava-se de bom grado a todos os seus desejos, acudia, mesmo sem ser invocado, ao menor perigo, à menor necessidade; refreava a audácia do demônio, sempre pronto a maltratar a sua protegida, e algumas vezes lutava para lha tirar das mãos brutais. Eis alguns fatos relativos a esta assistência: uma vez, estando à mesa ainda em casa de seus pais, uma das pessoas presentes, deixando-se levar pelos maus costumes do nosso tempo, proferiu uma blasfêmia contra o adorável Nome de Deus. Logo que Gema a ouviu perdeu os sentidos com a dor e ia a cair da cadeira; antes, porém, que batesse com a cabeça no chão, o Anjo a acudiu e com uma só palavra dita ao coração fez-lhe retomar imediatamente os sentidos. Por outra vez, perdida na contemplação, encontrava-se ainda na igreja, sendo já tarde; o Anjo advertiu-a e na volta acompanhou-a, sob uma forma visível, até à porta de casa.
Um dia o demônio tinha-lhe batido tão cruelmente no momento da oração da noite que a pobre menina ficou impossibilitada de se mover. O Anjo da Guarda ofereceu-lhe o seu auxílio, ajudou-a a subir para o leito e pôs-se de guarda à cabeceira. O Anjo avisava-a em muitas circunstâncias em que a sua vida podia correr perigo e indicava-lhe as precauções a tomar. Sem a sua intervenção, por mais duma vez teria sido vítima de algum acidente, tão pouco era o cuidado que tinha de si. Um dia disse-lhe [o Anjo] em tom de amável censura: “Pobre pequena, como és imperfeita; tenho de velar continuamente por ti.”
A missão dos Anjos Custódios tem como objeto principal os interesses espirituais das almas. Eles devem ser, segundo os desígnios da Providência, instrumentos de santificação para nos conduzir pelos caminhos difíceis da virtude. O Anjo de Gema não perdia uma ocasião de a repreender, de a aconselhar e mesmo de a instruir por ensinamentos cheios de celeste sabedoria, que a menina conservou em parte nas relações que enviava ao diretor espiritual. Uma vez, para que não se perdesse uma sílaba, o Anjo fez-lhe escrever alguns destes ensinamentos que ia ditando. Por sua ordem, Gema sentou-se à mesa, tomou a pena e o papel, enquanto que ele, de pé a seu lado, como um professor junto do aluno, começava: “Lembra-te que aquele que ama verdadeiramente a Jesus fala pouco e sofre tudo. Ordeno-te da parte de Jesus, que nunca digas a tua opinião, se não te for pedida, que nunca sustentes o teu sentimento, mas que cedas depressa. Quando cometeres qualquer falta, acusa-te imediatamente sem ser preciso que outros te avisem. Obediência pontual e sem réplica ao teu confessor, sinceridade com ele e com os outros; não te esqueças de guardar a vista, lembrando-te que os olhos mortificados contemplarão as belezas do Céu.”
O santo Anjo sabia usar de rigor com a sua discípula; não lhe deixava passar nenhuma imperfeição e corrigia-a sem piedade, a ponto de ela me dizer: “O meu Anjo é um pouco severo, mas sinto-me bem com isso. Nos últimos dias chegou a repreender-me três a quatro vezes por dia.” Parece até que o vigilante guarda saiu dos justos limites numa ocasião: “Ontem, escrevia-me Gema, durante a refeição levantei os olhos e vi o Anjo lançar-me olhares severos, não falava. Mais tarde ,quando fui repousar, olhei outra vez para ele, mas baixei a vista depressa; meu Deus como estava irritado! – Disse: ‘Não tens vergonha de cometer faltas em minha presença?’ Lançava-me alguns olhares tão severos... eu não fazia senão chorar. Supliquei a Deus e a minha celeste Mãe que o tirasse de diante de mim, pois não podia resistir mais. De quando em quando repetia: ‘Envergonho-me de ti.’ – Pedi para que ninguém o veja neste estado, pois os que o vissem com certeza não quereriam mais aproximar-se de mim. Sofri um dia inteiro, não pude recolher-me um só momento; o seu aspecto permanecia tão severo que eu não tinha coragem para lhe falar. Ontem de noite não consegui adormecer até que, finalmente, pelas duas horas da manhã, o vi aproximar-se; pôs-me a mão sobre a fronte dizendo: ‘Dorme, má.’ E não o vi mais.”
Não se pode dizer quanto fruto tirava deste magistério angélico a santa menina, sempre sedenta de virtude e de santidade. Atenta Às menores palavras do Anjo, cumpria de todo o coração as penitências que ele muitas vezes impunha, para ver se lhe agradava. “Repugnava-me muito, dizia-me ela, andar a dizer ao meu confessor certas coisas, como o Anjo me ordenava por penitência; todavia obedeci e, logo de manhã, violentando-me, corri a dizer-lhas. Depois desta vitória sobre mim mesma, o Anjo, muito contente, tornou-se bom para mim.” Gema amava este guarda tão dedicado pelo bem da sua alma. Tinha constantemente o seu nome nos lábios como no coração. “Querido Anjo, dizia ela, quanto vos amo! – E por quê?, perguntava ele. – Porque me ensinais a ser boa e a conservar-me na humildade.”
Não admira que este vivo afeto, numa alma simples e ingênua, desse origem a uma familiaridade que pode parecer excessiva. Ao ouvir as conversas de Gema com o seu querido Anjo, ao ouvi-la discutir vivamente para o levar a ter a sua opinião, dir-se-ia que tratava com um igual. Eu mesmo a princípio fiquei admirado, adverti-a de que era mau o seu proceder e disse-lhe que era orgulhosa, pois levava a familiaridade até ao ponto de tratar por ‘tu’ a um espírito puro em vez de tremer diante dele. Para a experimentar, proibi que ultrapassasse certos limites. A donzela baixou a cabeça e respondeu com toda a humildade: “Tendes muita razão, Padre; hei de corrigir-me. Daqui por diante direi sempre ‘vós’ ao Anjo; e quando me for dado vê-lo, testemunhar-lhe-ei grande reverência, conservando-me a cem passos atrás dele.”
Na primeira visita do celeste guarda, Gema advertiu-o da norma de conduta: “Tende paciência, querido Anjo, o Padre não está contente, preciso de mudar de procedimento.” E absteve-se de ultrapassar o limite marcado enquanto não levantei a proibição. Pela força do hábito, acontecia-lhe muitas vezes enganar-se e misturar o ‘tu’ com o ‘vós’, mas corrigia-se, mesmo em êxtase. Algumas vezes o Anjo não aparecia só, mas com outros espíritos celestes para fazerem alegre companhia à angélica irmãzinha. Logo que tive conhecimento disso, mostrei estar muito descontente e escrevi a Gema dizendo, sempre para pôr à prova a sua virtude, que era tempo de acabar. Gema respondeu: “Na verdade, Padre, não compreendo nada disso. Os outros, quando estão a rezar, veem o seu Anjo da Guarda. Se eu também o vejo, ralhais e afligi-vos. Mas ontem, dia em que eles se festejavam, despedi-os a todos. O meu não quis partir, nem o outro em que vos falei; ora que hei de eu fazer? Não vos zangueis outra vez, serei boa e obediente”.
A familiaridade de Gema com o Anjo da Guarda era simples, espontânea, cheia de humildade, como testemunham as duas seguintes aparições, tomadas entre mil e contadas pela própria menina: “Estava eu no leito, muito atormentada, quando me senti subitamente possuída dum profundo recolhimento. Juntei as mãos e com toda a força do meu fraco coração fiz o ato de contrição com uma viva dor dos meus inúmeros pecados. Estando o meu espírito absorvido pela lembrança das minhas ofensas, notei o Anjo junto do leito. Fiquei envergonhada de ver em sua presença. Ele, ao contrário, com uma amabilidade cheia de encano, disse-me: ‘Jesus tem uma grande afeição por ti, ama-O muito.’ – Depois acrescentou: Amas a Mãe de Jesus? Envia-Lhe muitas vezes as tuas saudações. Ela fica muito contente em as receber e nunca deixa de as retribuir. Se não o faz sempre sensivelmente, é para experimentar a tua fidelidade.’ – Abençoou-me e desapareceu.”
Outra visão: “Enquanto fazia as minhas orações da noite, o Anjo da Guarda aproximou-se de mim e, batendo-me no ombro, disse: ‘Gema, como é que tu levas tanto desgosto para a oração?’ – Não é desgosto, respondi, há dois dias que não me sinto bem. – Ele continuou: ‘Faze o teu dever com cuidado e Jesus te amará mais.’ – Roguei-lhe que fosse pedir a Jesus permissão para passar a noite junto de mim. Desapareceu imediatamente e, obtida a permissão, voltou para o meu lado. Oh! Como se mostrou bom! Quando estava para partir, pedi-lhe que não me deixasse ainda. – ‘Não posso, respondeu, é conveniente que eu vá’. – Está bem, ide, lhe disse eu, saudai a Jesus por mim. Lançando-me um último olhar, acrescentou: ‘Não quero que tenhas conversações com as criaturas. Quando quiseres falar, fala com Jesus e com o teu Anjo da Guarda.’
Tal é, pouco mais ou menos, o gênero das outras aparições. Daqui se pode concluir como devia ser amada de Deus esta virgem que recebia a honra de ser assim visitada, assistida e dirigida por espíritos angélicos nos caminhos da santidade. Não lhe tenhamos inveja, porque também nós recebemos do mesmo Pai celeste um Anjo para nos guardar, e se formos, como Gema, muito puros, muito humildes, simples de coração, cheios de fé e de santos desejos de perfeição, ele também nos cercará da mesma solicitude e do mesmo amor.(...)
Diz-nos o Espírito Santo que satanás, nos últimos momentos da nossa vida, sabendo que tem pouco tempo para [nos] fazer mal, nos assalta com pérfidas tentações, como um leão que vê a presa prestes a escapar-lhe. Que supremos e furiosos ataques não devia dirigir contra a angélica donzela, a quem tinha perseguido durante toda a vida com ódio mortal, e procurado vencer ou ao menos desanimar com uma guerra sem tréguas! De outros santos se lê que no fim dos seus dias tiveram que suportar assaltos do demônio mais ou menos longos e terríveis, mas passageiros. Gema, porém, suportou um ataque contínuo de sete meses, apenas interrompidos por curtos intervalos de trégua. O fato é aterrador, mas absolutamente certo, porque é unanimemente atestado por todas as pessoas que assistiram a jovem virgem durante a sua última doença.
O espírito das trevas perturbava-lhe a imaginação com mil fantasmas próprios para encher o seu coração de tristeza, de ansiedades, de temor. O seu fim era levá-la ao desespero. Representava-lhe, sob os mais tétricos aspectos, o quadro de sua vida tão cheia de angústias, as desgraças da sua família, as privações de toda ordem; fazia-lhe passar por diante dos olhos os agentes da força pública indo, depois da morte de seu pai, acompanhados pelos credores, sequestrar os bens da sua casa, depois exclamava: “Eis o resultado de todas as tuas fadigas no serviço de Deus”. Aproveitando o estado de extrema aridez espiritual em que, durante a maior parte do tempo, o Senhor a deixava para mais purificar a sua alma, o anjo das trevas empregava todos os artifícios para a persuadir de que estava irremediavelmente abandonada por Deus e que de modo algum escaparia à condenação. O tentador astucioso insinuava-lhe que as suas heroicas virtudes e mesmo os mais insignes favores divinos não eram mais que ilusão e hipocrisia. (...)
Procurou mais uma vez [o infernal inimigo] insultar o pudor virginal da santa menina. Sabia muito bem com que amor e cuidado este anjo tinha guardado, durante toda a vida, o casto tesouro, com que heroísmo tinha já sustentado, neste campo, lutas terríveis, coroadas sempre de triunfo, mas queria, senão alcançar uma vitória que julgava impossível, ao menos vingar-se das suas derrotas por meio daquelas tentações que sabia serem as mais próprias para encher de amargura os últimos dias da inocente pomba.
O quarto da enferma pareceu então estar convertido num vestíbulo do inferno. Não eram pensamentos, imaginação, impulsos lascivos, aos quais não podia ser sensível uma alma daquela têmpera; eram aparições reais sob formas sempre novas e dum cinismo brutal. “Padre, Padre, escrevia-me Gema do seu leito de dor, este sofrimento é muito intenso para mim. Pedi a Jesus que o troque por qualquer outro. Enviai, mesmo de longe, maldições e esconjuros para afastar o velhaco do demônio, ou ordenai ao vosso Anjo da Guarda que venha afastá-lo para longe daqui”.
Vencido em todos os campos, terminou por afligi-la com cruéis vexações exteriores. A enfermeira da Serva de Deus escrevia-me por várias vezes: “Esta besta hedionda acaba-nos com a querida Gema. Saio sempre de junto dela a chorar; este horrível demônio consome-a, e não vejo nenhum remédio a opor. São pancadas ensurdecedoras, figuras espantosas de animais ferozes; mata-a com certeza. Corremos em seu auxílio, lançando água-benta no quarto, o barulho cessa, mas para recomeçar pouco depois com mais raiva.”
Até onde o invisível inimigo do homem levou a crueldade para com a doce vítima! Gema sentiu melhoras quanto à dificuldade de ingerir os alimentos. Satanás, porém, estava de atalaia; logo que apresentavam a comida à doente, parecia-lhe coberta de insetos repugnantes, de tudo quanto possa imaginar-se de nojento. Perante a repugnância do estomago, era forçoso retirar tudo. Animais repelentes, reais ou imaginários, entravam-lhe no leito, iam-lhe para o corpo e torturavam-na de mil maneiras, sem que se pudesse ver livre deles. Dizia muitas vezes à irmã enfermeira com acentos de terror, que sentia uma serpente a envolvê-la da cabeça até aos pés e procurando sufocá-la.
Pediu muitas vezes que fizessem exorcismos, mas como julgassem que não deviam atender aos seus pedidos, ela mesma, voltando-se para o inimigo com o rosto inflamado, exclamou: “Espíritos perversos, ordeno-vos que entreis no lugar que vos está destinado, aliás, desgraçados de vós! Acuso-vos ao meu bom Deus.” Depois, voltada para a sua Mãe Celeste, começou a dizer: “Minha Mãe, encontro-me em poder do demônio que me fere, me flagela, trabalha por me arrancar das mãos de Jesus. Não, não, Jesus, não me abandoneis, ser-vos-ei fiel. Ó minha Mãe, pedi a Jesus por mim. De noite, estou só, cheia de terror, oprimida e como que ligada em todas as potências da alma e em todos os sentidos do corpo, sem me poder mexer. Viva Jesus!”
De tempos a tempos, o divino Mestre vinha reanimar-lhe a coragem e sossegá-la, fazendo-lhe sentir a Sua doce presença e dizendo-lhe algumas palavras: “Minha filha, por que é que, em vez de te entristeceres com as perseguições do inimigo, não aumentas a tua esperança em Mim? Humilha-te sob a minha poderosa mão, não te deixes abater pelas tentações. Resiste sempre, sem desânimo, e, se a tentação perseverar, persevera também na resistência; a luta levar-te-á à vitória”.
Outras vezes era o Anjo da Guarda que vinha confortá-la. Mas estes momentos felizes duravam pouco, em breve a sua alma recaía nas trevas e o tentador aparecia de novo, mais furioso que nunca. Deste modo se passavam, para a pobre donzela, os dias, as semanas, os meses. Que exemplo admirável de resignação e que motivo de salutar receio para nós, que não temos os méritos de Gema, na hora terrível da morte!
(Servo de Deus Padre Germano de Santo Estanislau, CP, in: Gema Galgani, Virgem de Luca. Tradução e edição do Padre Matos Soares, Porto: 1923, páginas 203-220 e 319-322).
Fonte: Blog O Segredo do Rosário

Irmã Maria Pierina di Michelli e a Sagrada Face de Jesus


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Irmã Maria Pierina di Michelli foi uma freira santa, religiosa da Imaculada Conceição, beatificada, nasceu em Milão – Itália, nasceu em 11 de setembro de 1890 e faleceu em 26 de Julho de 1945( aos 55 anos). Privilegiada com muitas visões da Virgem Maria e do próprio Senhor Jesus para espalhar a devoção à Sagrada Face, em reparação dos muitos insultos que Jesus sofreu em Sua Paixão, e sofre ainda nos dias de hoje. Em sua terra natal serviu como Mestra das Noviças até 1939. Empreendeu a tarefa de lidar com a nova fundação da Casa, em Roma, que foi nomeada Superiora até sua morte.
Em 1941, ela escreveu em seu diário: "sinto um desejo profundo de viver sempre unida a Jesus, para amá-lo intensamente, porque a minha morte só pode ser um transporte de amor com meu esposo, Jesus. " Irmã Maria Pierina faleceu em 1945 em Milão.
Seus restos mortais estão localizado no Instituto Espírito Santo, em Roma.Irmã M. Pierina faleceu, unindo-se àquele que amou tanto, em 26 de julho de 1945. Sua morte não teve as características da morte dos homens em geral; foi uma passagem de amor como ela mesma escreveu em seu diário no dia 19 de julho de 1941: “tenho sentido uma imensa necessidade de viver sempre mais unida a JESUS, de amá-lo intensamente, para que minha morte seja uma passagem de amor ao meu JESUS”.
Irmã Maria Pierina, tomou o hábito das filhas da Imaculada Conceição no dia 14 de maio de 1914.
Quando noviça ainda, obteve a licença de fazer a adoração noturna, e quando na noite de Quinta-Feira Santa estava rezando diante do Crucificado, escutou as palavras: “ Beija-Me!” Irmã Maria Pierina obedeceu sem demora, e seus lábios, em vez de passar sobre uma face de gesso, sentiram viva a Face de Jesus.
A noite inteira passou na igreja, pois quando a Madre superiora ali a encontrou, já era de manhã. O coração abalado com o sofrimento de JESUS sentiu o desejo de reparar os ultrajes que Ele recebera na SAGRADA FACE e continua há receber cada dia no SANTÍSSIMO SACRAMENTO.
Jesus Cristo pediu novamente a uma consagrada que fizéssemosuma hora de oração em reparação a Sagrada Face toda Terça-Feira. Vamos atender ao pedido do Senhor Jesus o filho da Imaculada Conceição.
Desde criança Irmã Pierina praticava atos de reparação, os quais aos poucos, a levaram a uma imolação completa de si mesma.
Em Carta ao Papa Pio XII, em 1943, por ocasião de uma visita ao trono de Pedro, Irmã Maria Pierina escrevera:
Eu tinha doze anos quando, na Sexta-Feira Santa, esperava em minha paróquia a minha vez de beijar o crucifixo, e ouço uma voz distinta que diz: ‘Ninguém me dá um beijo de amor no rosto, para reparar o beijo de Judas?’Acreditei na minha inocência de menina, que todos ouvissem a voz, e fiquei com muita pena vendo que continuavam a beijar as chagas e que ninguém pensava em beijá-lo no Rosto. Eu darei o beijo de amor, Jesus, tenha paciência. Na minha vez, apliquei-lhe um forte beijo no Rosto, com todo o ardor do meu coração. Eu estava feliz, acreditando que Jesus, agora contente, não sofreria mais aquela pena.
Assim a conta, na carta a Pio XII: “Em 31 de maio de 1938, quando rezava na capelinha de meu noviciado, uma Bela Senhora se apresentou a mim: tinha nas mãos um escapulário formado por duas flanelinhas brancas, unidas por um cordão”.
Em uma estava a ‘imagem’ da Sagrada Face de Jesus e a frase: “Ilumina Domine Vultum Tuum super nos” (Fazei resplandecer sua face sobre nós) e na outra uma hóstia circundada por raios e com a frase: “Mane nobiscum Domine”. (Fica conosco senhor).
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Este escapulário é uma arma de defesa, um escudo de fortaleza, uma promessa de amor e de misericórdia que Jesus quer oferecer ao mundo nestes tempos de sensualidade e de ódio contra Deus e a Igreja. Estendem-se redes diabólicas para arrancar a fé dos corações, o mal se expande, os verdadeiros apóstolos são poucos, é necessário um remédio divino e este remédio é o Santo Rosto de Jesus. Todos aqueles que usarem um escapulário como este e, podendo, fizerem toda terça-feira uma visita ao Santíssimo Sacramento para reparar os ultrajes que recebeu o Santo Rosto durante a Sua Paixão e que recebe todos os dias no sacramento eucarístico, serão fortalecidos na fé, estarão prontos a defendê-la e asuperar todas as dificuldades internas e externas, e ainda terão uma morte serena sob o olhar amável do meu Divino Filho’”.
Irmã Maria Pierina encontrou muita dificuldade em conseguir que seus superiores do convento atendessem ao pedido de Maria Santíssima em fazer este escapulário. Não só se negaram a fazê-lo como também a proibiram de fazê-lo. Tinham-na por louca, desiquilibrada e não acreditavam nestas Aparições.
Até que um dia, foi substituída a Madre Superiora do convento. Irmã Maria Pierina então foi dizer a esta nova superiora sobre as Mensagens e o pedido de Nossa Senhora em fazer o Escapulário. A Princípio ela não acreditou, mas, depois, convencida pelo TESTEMUNHO
DE VIDA E SANTIDADE da Irmã Maria Pierina, convenceu-se da veracidade das Aparições e concordou em ajudar. Contudo, disse á Irmã Maria Pierina: "- Diga a Nossa Senhora que não posso fazer o Escapulário, mas se Ela aceitarfarei uma Medalha da Sagrada Face com as inscrições que Ela pediu." Irmã Pierina então perguntou a Santíssima Virgem se Ela aceitaria a Medalha. Nossa Senhora aceitou.
No dia 7 de Abril de 1943 a santíssima Virgem lhe apareceu e disse:
“ Minha filha, não se preocupe, pois o escapulário é substituído pela MEDALHA, com as mesmas promessas e favores. Só resta difundi-las mais ainda. Ora, interessa-me muito a festa da Sagrada Face de meu  Divino Filho. Diga-o ao Papa, que esta festa tanto me interessa. Em seguida abençoou-a e desapareceu.”
Após grandes dificuldades, obteve permissão para cunhar a medalha.  As despesas de encomenda  das medalhas foi um milagre. Maria Pierina encontrou em sua mesa um envelope com a quantia exata de, 11.200 liras, dinheiro necessário para cunhar as primeiras Medalhas.
O demônio mostrou seu desgosto, ódio e raiva em ver as Medalhas prontas. Este infernal inimigo de Deus derrubou as Medalhas no chão, pelos corredores e pelas escadas, quebrou imagens e queimou as imagens da Sagrada Face e bateu na irmã Pierina. Em vão. As Medalhas seguiram seu destino: Os pecadores necessitados da Face do Senhor!
Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, o mundo estava em turbulência. Neste período, na Itália, viu-se uma ampla distribuição desta medalha.
A primeira medalha foi enviada ao Santo Padre e depois começou a distribuição e logo reconhecida como miraculosa.
Parentes e amigos dos combatentes enviaram aos soldados, marinheiros e aviadores a réplica da Sagrada Face de Jesus. Homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, sãos, enfermos, cristãos, bêbados e prisioneiros de guerra: todos  experimentaram seu prodigioso efeito.  Desde então, a medalha tornou-se famosa por seus milagres e grandes favores espirituais e temporais.
Não há notícia de um só condenado à morte que, tendo levado a medalha, tivesse sido executado: todos foram salvos.

Em 1919, a Irmã Maria Pierina foi enviada para a Casa Mãe, em Buenos Aires. No dia 12 de abril de 1920, quando ela reclamou a Jesus sobre a dor que sentia: Ele se apresentou a ela, coberto de sangue e com uma expressão de ternura e de dor "que eu nunca vou esquecer", escreveu ela, Ele disse, "e eu, o que eu fiz?"Compreendia então a devoção á Sagrada Face que daí em diante passou a ser o seu livro de meditação.
Com o passar dos anos, JESUS se lhe manifestava de vez em quando, ora triste, ora ensanguentado, pedindo sempre reparação. E foi por isso que o desejo de sofrer e de se sacrificar pelas almas cresceu mais e mais no coração de Irmã Pierina.
Durante a oração noturna da primeira Sexta-feira da quaresma em 1936, JESUS, depois de havê-la feito participante das dores da agonia do Getsêmani, disse-lhe, mostrando sua FACE coberta de sangue e tomada de grande tristeza: “Quero que MINHA FACE, que reflete a Minha íntima aflição de meu ânimo, a dor de Meu coração seja mais honrado.
"QUEM ME CONTEMPLA, ME CONSOLA”.
Jesus tornou a dizer-lhe: “Cada vez que se comtemplar Minha face, derramarei Meu Amor nos corações, e por meio de minha Sagrada Face obter-se-á a salvação de muitas almas.”
Na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem, que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração”. Diga-lhes, que ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é esta a verdadeira devoção ao Meu Coração?

Palavras de Jesus:
Em 27/5/1938: “Contemple minha Face e penetre no abismo de dor do meu Coração. Console-me e procure almas que se imolem comigo pela salvação do mundo.”
Em 21/11/1938: "Vejam como sofro. Mesmo assim, sou compreendido por tão poucos. Quanta ingratidão por parte daqueles que dizem que me amam. Eu dei o meu Coração como um objeto sensível do meu grande amor pela Humanidade. Eu dou a minha Face como um objeto sensível de minha tristeza pelos pecados da Humanidade.”
Em 12/6/1942: “Quero muitas almas que me consolem muitas almas, muitas almas”!"
5/10/1944: “Filha amada são tantos os pecados impuros que se cometem nesta cidade, mas as verdadeiras almas reparadoras são poucas. Pelo menos você, console-me e conforte-me.” 
Jesus disse à irmã Maria de São Pedro em 1846:
“Aqueles que venerarem a minha Santa Face em espírito de reparação, serão tão gratos por mim como fui à Santa Verônica. Eles farão uma generosidade igual à dela e gravarei os meus Traços Divinos em suas almas. Eu lhes darei a minha Face adorável.”
Falou ainda Jesusà Irmã Maria de São Pedro :
“Toda vez que alguém contemplar a minha Face, derramarei o meu amor nos corações.E por meio da minha Face, obter-se-á a salvação de muitas almas.”
Jesus disse à Serva de Deus Maria Concetta Pantusa (1894-1953):
“Minha querida filha, eu quero que você faça uma divulgação muito ampla de minha Imagem. Eu quero ir a todos os lares e converter os corações mais endurecidos. Fale a todos da minha misericórdia e meu amor infinito. Eu vou te ajudar a encontrar novos apóstolos. Eles serão os meus novos eleitos, os amados do meu Coração onde terão um lugar especial. Eu abençoarei suas famílias e me substituirei para dirigir seus negócios. Eu quero a minha Divina Face fale aos corações de todos e que a minha Imagem seja impressa no coração e alma de cada cristão para brilhar o esplendor divino, pois agora eles estão marcados pelo pecado. Pela minha Sagrada Face o mundo vai ser salvo."
Nossa Senhora disse a Maria Pierina de Micheli (1890-1945):
“Um remédio divino é necessário. E esse remédio é a Sagrada Face de Jesus. Peçam tudo olhando para a Sagrada Face de Jesus.”
Mensagem da Medalha da Sagrada Face.
“Meus filhos, se desejam ser libertados dos ataques de Satanás, a melhor maneira de fazê-lo é trazer sobre o peito o divino rosto do meu Filho. Diante dele, o inimigo fica impedido de avançar, pois a luz de meu Filho o derruba. Quando Satanás se disfarça, aparentando ser Jesus ou eu, vossa Mãe, e tiveram posto externamente o rosto de meu Filho, logo ele desaparece, porque é soberbo e não suporta a Majestade de Deus”.
(Mensagem atribuída a Nossa Senhora pelos videntes de Palmar de Troya - Espanha, 16.02.71)
No dia 10 de Janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma com a aprovação do grande Papa João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Podemos dizer que esta devoção já está espalhada pelo mundo inteiro. Ela é muito antiga, cheia de contemplação, de oração e intercessão.
Promessas aos devotos da Sagrada Face
Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações. E por meio da Minha Face obter-se-á a salvação de muitas almas¨ N.Senhor a Irmã M. Pierina, 1945, em Milão Sobre a propagação da Devoção a Sagrada Face, o Cardeal Gennari, em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, disse:
O Santo Padre deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores.
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Neste sentido pronunciou-se tambémo Papa Pio XI dizendo:
Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Síndone, ou seja,  A SAGRADA FACE DE JESUS.
Promessas feitas a Santa Matilde e a  Santa Gertrudes sobre esta  devoção:
1. Eu garantirei aos devotos, contrição tão perfeita que seus pecados serão transformados diante de Mim em joias de precioso ouro.
2. Nenhum deles será afastado de Mim.
3. Na oferenda de Minha Face ao Pai Celestial, eles terão acalmado Sua cólera e eles vão adquirir como com moeda celestial, o perdão por seus pecados.
4. Eu abrirei Minha boca para pedir ao Pai para garantir todas as preces que eles Me apresentarem.
5. Vou iluminá-los com Minha luz, e vou consumi-los com Meu amor. Eu lhes darei frutos de boas obras.
6. Eles vão, como a piedosa Verônica, enxugar a Minha adorável Face ultrajada pelo pecado, e Eu vou imprimir Minha Divina Fisionomia em suas almas.
7. Em suas mortes, vou renovar neles a imagem de Deus, apagada pelo pecado.
8. Semelhante à Minha Face, eles brilharão mais do que muitos outros na vida eterna e o brilho da Minha Face vai enchê-los de prazer.
Ramalhete espiritual
"A Vossa Face Senhor, procuro e A procuro sem parar! Não quero outra coisa, Senhor, senão a Vossa Face, para que Vos possa amar como desejo, porque não encontro o que seja mais precioso." (Santo Agostinho)
"Vossa Face é minha Pátria, meu reino de amor." (Santa Teresinha).
"Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos!" (Indulgenciada pelo Papa Pio IX em 11/12/1876).
"Senhor, permanecei conosco!"(Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Jaime de Barros Câmara, em   26/11/1959).
"Pai eterno, eu Vos ofereço a adorável Face do Vosso Filho muito amado pela honra e glória do Vosso Nome e pela salvação da alma de ... (aqui diga o nome). Amém.
"Mãe Santíssima, medianeira de todas as graças, oferece por nós ao Pai Eterno a Sagrada Face de teu Filho, alcançando-nos paz, liberdade da fé e o triunfo da verdade."(Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Agnelo Rossi, em 18/11/1966).
Santos e Beatos devotos da Sagrada Face, mencionaram em suas vidas e escritos :
São Caetano Catanoso, Santo Agostinho de Hipona, São João Maria Vianney,  Santa Teresinha do Menino Jesus,  Santa Teresa de Ávila,  São Martinho de Tours,  São Luís Rei de França,  Santa Catarina Drexel,  Santa Faustina,  São Padre Pio,  São Anibal,  Beato Papa Pio IX, São Jerônimo, São Bede,  Santa Gertrudes,  Santa Mechtilde,  Santo Anselmo de Canterbury,  Santo Edmundo de Canterbury,  São Boaventura,  São Francisco de Assis.
Beata Irmã Maria Pia Mastena,   Beato Luís Martin,  Beata Madre Teresa de Calcutá, Beato Papa João XXIII,  Serva de Deus Catarina Doherty, Beata Maria Pierina de Micheli.
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Terço da Sagrada Face                                
Rezar diariamente


TERÇO DA SAGRADA FACE DE JESUS.
Iniciar fazendo ( 5 ) cinco vezes o sinal da Santa Cruz, em honra as Cinco Santas Chagas de nosso Senhor Jesus Cristo.  Após rezar o Creio, um Pai-Nosso uma Ave-Maria e o Glória.
         Nas contas do Pai-Nosso, rezar: “  Pai Eterno, ofereço-vos a Face adorável de Vosso Divino Filho para abrandar a cólera de Vossa Justiça, obter a santificação do clero, o perdão dos pecadores e o alívio das almas do purgatório.
         Nas contas da Ave-Maria, rezar: “  Oh ! Sagrada Face de Jesus, compadecei-vos de nós e do mundo inteiro. ”
No final, rezar três Ave-Marias em louvor das dores que Nossa Senhora sofreu ao ver Jesus carregar a Cruz, ser pregado, vê-lo morrer e recebê-lo morto em seus amorosos e ternos e santos braços. No fim de cada Ave-Maria acrescentar a jaculatória: Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!.
No encerramento, rezar:   “Face adorável de meu Jesus, meu único amor, minha luz e minha vida, fazei que veja somente a vós, nada conheça fora de vós, ame-vos unicamente, e que, enfim, não viva a não ser convosco, de vós, por vós e para vós. Assim seja.   Amem!”
            Rezar um Glória.
Jaculatória:      Jesus, mostrai a vossa sagrada face e seremos salvos !

                    ADORAÇÃO À SAGRADA FACE DE JESUS.

Que Jesus seja bendito.
Bendita seja a Santa Face de Jesus
             Bendita seja a Santa Face na majestade e formosura de seus traços celestiais.
Bendita seja a Santa Face na Transfiguração do Tabor.
Bendita seja a Santa Face no suor de sangue de sua agonia.
Bendita seja a Santa Face nas humilhações da Paixão.
Bendita seja a Santa Face nas dores da morte.
Bendita seja a Santa Face na glória da Ressurreição.
Bendita seja a Santa Face nos esplendores da luz eterna.
                         
Consagração a Sagrada Face
Oh! Face amabilíssima de Jesus!
Aqui viemos atraídos pelo Vosso doce olhar, que como divino irmão arrebata nosso coração, ainda que pobre e pecador.
Oh! Jesus! Queremos enxugar vossa adorável Face e consolar-vos das injúrias e esquecimento dos pecadores.
Oh! Rosto lindíssimo! As lágrimas que brotam de vossos olhos nos parecem pérolas preciosas, que queremos recolher para comprar com elas as almas de nossos irmãos.
Tem chegado a nossos ouvidos a queixa amorosa que saiu de teus lábios na Cruz, e sabendo que a sede que vos abrasava era de amor, queremos possuir um amor infinito para sacia-la.
Oh! amado Jesus! Se nós tivéssemos o amor de todos os corações, tudo seria para Vós.
Enviai, Senhor, almas; sobre tudo almas de apóstolos e mártires, para abrandar em Vosso Coração a multidão dos desgraçados pecadores.
Oh! amado Jesus! Enquanto aguardamos o dia em que contemplaremos vossa glória infinita, nosso único desejo é venerar vossa Face Santíssima, a qual consagramos desde agora e para sempre, nossas almas com suas potências e nossos corpos com seus sentidos.
Oh! Jesus! Fazei que vosso Rosto adorável seja aqui, na terra, nosso encanto e nosso céu. Amém.
" Oh! Jesus meu, por vosso amor misericordioso por vossas Sagradas Chagas e pelos méritos de vossos trinta e três anos de vida terrestre, livrai das garras de Satanás as almas que estão nas bordas do inferno!"

LADAINHA DA SAGRADA FACE DE JESUS.
Senhor, tende piedade de nós,
CRISTO, tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós,
CRISTO, ouvi-nos,
CRISTO, atendei-nos
DEUS PAI do Céus, tende piedade de nós,
DEUS FILHO, Redentor do mundo, tende piedade de nós,
DEUS ESPÍRITO SANTO, tende piedade de nós,
SANTÍSSIMA TRINDADE, que sois um só Deus, tende...
SAGRADA FACE do Filho de Deus vivo, tende...
SAGRADA FACE, espelho da Majestade Divina”...
SAGRADA FACE, do nosso Salvador, tende...
SAGRADA FACE, inundada de Suor e sangue, tende...
SAGRADA FACE, humilhada pelo beijo do traidor, tende...
SAGRADA FACE, barbaramente contundida por bofetões, “...
SAGRADA FACE, acumulada de ignomínias e insultos, tende...
SAGRADA FACE, coberta por um pano e cinicamente ludibriada, ...
SAGRADA FACE, atormentada por febre e sede, tende...
SAGRADA FACE, no julgamento, perante a multidão amotinada...
SAGRADA FACE, banhada de lágrimas de dor, tende...
SAGRADA FACE, impressa na toalha de Verônica, tende...
SAGRADA FACE, coberta de blasfêmias horrendas, tende...
SAGRADA FACE, ao morrer na Cruz, inclinada para nós, tende...
SAGRADA FACE, desfigurada por feridas e golpes, tende...
SAGRADA FACE, revelada milagrosamente pelo Santo Sudário, tende...
SAGRADA FACE, glorificada pela ressurreição, tende...
SAGRADA FACE, alegria de todos os santos Anjos e Santos, tende...
SAGRADA FACE, por cuja veneração alcançamos auxílio nas angústias, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada FACE;
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, volvei a nós a Vossa Sagrada FACE, a fim de sermos salvos;
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-nos a paz de Vossa Sagrada FACE.
Amém.

Oração do Papa Pio IX
Oh, meu Jesus, lançai sobre nós um olhar de misericórdia! Volvei Vossa Face para
cada um de nós, como fizestes a Verônica, não para que a vejamos com os olhos
corporais, pois não o merecemos. Mas volvei-A para os nossos corações, a fim de
que, amparados sempre em Vós, possamos haurir nesta fonte inesgotável as forças
necessárias para nos entregarmos ao combate que temos que sustentar. Amem!

Enviado pelo amigo JR   -   www.rainhamaria.com.br