(Pequeno exemplo do resultado da
nova Missa - chimarrão e espeto de churrasco dividem o Santo Altar com
Jesus Sacramentado - sem comentários)
Nota de www.rainhamaria.com.br
Na conferência que leremos agora, o
Arcebispo Marcel Lefebvre nos dá alguns detalhes do árduo combate que
ocupou os últimos anos de sua vida para conseguir manter a Tradição, no
que toca seu relacionamento com Roma. É claro que muitos anos já se
passaram desde que ele deu esta conferência que data de meados da década
de 80. Houve o encontro de Assis e diversos atos do Papa João Paul II
que empurraram o Vaticano cada vez mais adentro no ecumenismo e no
progressismo. A crise se agravou. Mas os princípios católicos que o
lúcido bispo apresenta permanecem os mesmos.
Publicada na Revista Fideliter, da Fraternidade São Pio X. Foi conservado o estilo falado.
A INFILTRAÇÃO DO MODERNISMO NA IGREJA
Fico contente em constatar que no
mundo inteiro, no mundo católico, em todo lugar, pessoas corajosas se
reúnem em torno de padres fiéis à fé católica e à Igreja Católica, para
manter a tradição que é a fortaleza de nossa fé.
Se existe um movimento tão geral é porque a
situação da Igreja é verdadeiramente grave. Pois, para que padres,
fiéis católicos, aceitem ser tratados de rebeldes, de dissidentes, de
desobedientes, mesmo se tratando de bons padres, alguns dos quais já
serviram em paróquias durante trinta anos com grande satisfação de seus
paroquianos, é para manter a fé católica. Eles o fazem conscientemente
no espírito dos mártires.
Ser perseguido por seus irmãos ou
pelos inimigos da Igreja, qualquer que seja a mão que bata, por vista
que seja contra a manutenção da fé, é sofrer um martírio. Esses padres,
esses fiéis, são testemunhas da fé católica. Eles preferem ser
considerados como rebeldes e dissidentes a perder a fé.
Nós assistimos, no mundo inteiro, a uma
situação trágica, inacreditável, que parece não se ter jamais produzido
na história da Igreja. É preciso então tentar explicar esse fenômeno
extraordinário. Como podem bons fiéis, bons padres, se esforçarem por
manter a fé católica num mundo católico que está em plena dissolução?
Foi o Papa Paulo VI, ele mesmo, que falou de autodemolição da Igreja. O
que significa esse termo de autodemolição senão que a Igreja se destrói,
ela mesma, por ela mesma, por seus próprios membros? É isso o que já
dizia o Papa São Pio X na sua primeira encíclica, quando escrevia: «Hoje, o inimigo da Igreja não está mais no exterior da Igreja, está no interior».
E o Papa não hesitava em designar os lugares aonde ele se encontrava:
«O inimigo se encontra nos seminários». Por conseqüência, já no início
do século, o Santo Papa Pio X, na sua primeira encíclica, denunciava a presença de inimigos da Igreja nos seminários.
E é evidente que esses seminaristas que
estavam imbuídos do modernismo, do Sillonismo e do progressismo se
tornaram padres. Alguns deles se tornaram bispos e entre eles cardeais.
Poderia-se citar os nomes daqueles que fizeram seu seminário no início
do século, que morreram agora, mas cujo espírito era modernista e
progressista.
Assim, já o Papa Pio X denunciava essa divisão na Igreja, uma certa ruptura no interior mesmo da Igreja e do Clero.
Eu não sou mais jovem e já tive ocasiões,
ao longo de minha vida de seminarista, de minha vida sacerdotal e de
minha vida episcopal, de constatar essa divisão, e isso já no seminário
francês de Roma, onde eu fazia meus estudos, pela graça do Bom Deus.
Confesso que não estava muito entusiasmado pelos estudos feitos em Roma.
Eu pessoalmente preferia estar, como os seminaristas de minha diocese,
no seminário de Lille e me tornar um pequeno vigário e em seguida um
simples cura numa paróquia do campo.
Manter a fé numa paróquia: eu me via um
pouco pai espiritual de uma população a qual nos apegamos, para lhe
inculcar a fé e os modos cristãos. Era o meu ideal. Mas, aconteceu que
meu irmão estava já, depois da Guerra de 1914-1918, em Roma, porque ele
tinha se separado da família por circunstâncias da guerra no norte da
França e, por conseqüência, meus pais insistiram para que eu fosse
reencontrar meu irmão. «Como seu irmão já está em Roma, no seminário
francês, vá então encontrá-lo e fazer seus estudos com ele». E eu parti
para Roma. Fiz meus estudos na Universidade gregoriana, de 1923 a 1930.
Fui ordenado em 1929 e fiquei como padre no seminário durante um ano.
As primeiras vítimas do Modernismo
Ora, durante esses anos no seminário,
passaram-se coisas trágicas que me lembram exatamente tudo o que eu vi
depois do Concílio. Estou praticamente na mesma situação em que estava
nosso superior do seminário francês naquele momento: o padre Le Floch,
que foi o superior do seminário francês de Roma durante trinta anos. Era
um homem muito digno, um Bretão, forte e firme na sua fé como o granito
da Bretanha. Ele nos ensinava as encíclicas dos papas e o que era o
modernismo condenado por S. Pio X, os erros modernos condenados por Leão
XIII, o que era o liberalismo condenado por Pio IX. E nós amávamos
nosso padre Le Floch. Nós éramos muito apegados a ele.
Mas sua firmeza na doutrina, na tradição,
desgostava aos modernistas, evidentemente. Já existiam progressistas
naquela época, pois os papas os condenavam. Ele desagradava não somente
aos progressistas, mas também ao governo francês. O governo francês
tinha medo que, por intermédio do Pe. Le Floch, por essa formação dada
aos seminaristas, os bispos tradicionalistas viessem se implantar na
França e dessem à Igreja da França um clima tradicional e evidentemente
antiliberal. Ora, o governo francês era maçônico e por conseqüência,
fundamentalmente liberal e não podia nem pensar que bispos não liberais
pudessem tomar os postos mais importantes. Pressões foram exercidas
sobre o papa para eliminar o Pe. Le Floch. Foi Francisque Gay, futuro
líder do M.R.P., o encarregado dessa operação. Ele desceu a Roma e fez
pressão sobre o Papa Pio XI, denunciando o Pe. Le Floch como sendo, por
assim dizer, da Action Française, e um homem político ensinando aos
seminaristas a serem membros da Action Française.
Tudo isso era mentira. Durante três anos
eu escutei o Pe. Le Floch nas suas conferências espirituais. Nunca ele
nos falou da Action Française. Hoje eles me dizem: «Você foi naquele
tempo membro da Action Française». Eu nunca fui membro da Action
Française.
Evidentemente, dizem que somos membros da
Action Française, nazistas, fascistas, tudo o que se pode nos rotular
como etiquetas pejorativas, porque nós somos anti-revolucionários e
antiliberais.
Então uma pesquisa foi feita: o cardeal
arcebispo de Milão foi enviado ao local. Não era o menor dos cardeais.
Beneditino, homem de uma grande santidade e de uma grande inteligência,
foi designado pelo Papa Pio XI para pesquisar no seminário francês para
ver se o que dizia Francisque Gay era exato ou não. A pesquisa foi
feita. O resultado foi: o seminário francês funciona perfeitamente bem
sob a direção do Pe. Le Floch. Não temos absolutamente nada a reprovar
ao superior do seminário.
Bem, isto não foi o suficiente. Três meses
depois, nova pesquisa, dessa vez com a ordem de acabar com o Pe. Le
Floch. A nova pesquisa foi feita por um membro das Congregações Romanas
que concluiu, com efeito, que o Pe. Le Floch era amigo da Action
Française, que ele era perigoso para o seminário e que era preciso pedir
sua demissão. O que foi feito. Em 1926, a Santa Sé pediu ao Pe. Le
Floch para deixar a direção do seminário francês. Nós ficamos
estarrecidos. O Pe. Le Floch nunca foi um homem político. Era um homem
tradicional, apegado à doutrina da Igreja, aos papas, grande amigo do
Papa Pio X, que tinha uma grande confiança nele. E, precisamente, porque
ele era um amigo do Papa Pio X, então ele era inimigo dos
progressistas.
E depois, nessa época em que eu estava no
seminário francês, não somente o Pe. Le Floch foi atacado, mas também o
Cardeal Billot, teólogo de primeiro valor, hoje ainda reputado e
estudado nos nossos seminários. Monseigneur Billot, cardeal da Santa
Igreja, foi deposto. Tiraram-lhe a púrpura e enviaram-lhe, como
penitência, para perto de Albano, Castelgandolfo, na casa dos Jesuítas,
proibido de sair, sob o pretexto de que ele tinha ligações com o Action
Française. De fato, o Cardeal Billot não era da Action Française, mas
ele estimava a pessoa de Maurras e o citava em seu livro de teologia.
Por exemplo, no segundo livro da Igreja, «De Ecclesia», o Cardeal Billot
fez um magnífico estudo sobre o liberalismo, onde, em notas, fez
algumas citações de Maurras. Era um pecado mortal!Eles acharam isso para
depor o Cardeal Billot. Isto não é pouca coisa, um dos maiores teólogos
de sua época deposto como cardeal, reduzido ao estado de simples padre,
pois ele não era bispo (naquele tempo ainda havia cardeais diáconos).
Já era a perseguição.
O Papa Pio XI sofreu influência dos progressistas
O Papa Pio XI sofreu influência dos
progressistas que se achavam já em Roma. Nós vemos aí precisamente, uma
certa diferença entre os papas que se sucederam e portanto nessa época o
Papa Pio XI fez encíclicas magníficas. Não era um liberal. Sua
encíclica contra o comunismo Divini Redemptoris, sua encíclica sobre o
Cristo-Rei, instaurando a festa do Cristo Rei , logo, o reino social de
Nosso Senhor Jesus Cristo é magnífico. Sua encíclica sobre educação
cristã é absolutamente admirável e permanece hoje um documento
fundamental para aqueles que querem defender a escola católica.
Então, no plano da doutrina, o Papa Pio XI
foi um homem admirável, mas fraco no domínio da ação prática. Ele era
influenciável. Foi assim que ele foi muito influenciado na guerra do
México (1926-1929) e que ele deu ordem aos Cristeros, àqueles que
defendiam a religião católica e combatiam pelo Cristo-Rei, de confiar no
governo e entregar as armas. Desde que entregaram as armas, foram todos
massacrados. Ainda se lembram, no México, desse massacre horrível. O
Papa Pio XI confiou no governo, que o enganou. Depois do que se passou,
ele mostrou-se desolado. Ele não imaginava que um governo que lhe
prometera tratar com honra àqueles que defendiam sua fé iria em seguida
massacrá-los. Foram, com efeito, milhares de mexicanos que foram
massacrados por causa de sua fé.
Já no início do século certas situações
anunciam uma divisão na Igreja. E chegamos lentamente, mas seguramente,
às vésperas do Concílio.
O Papa Pio XII foi um grande papa. Tão bom
nos seus escritos quanto na sua maneira de conduzir a Igreja. E no
tempo de Pio XII a fé foi firmemente mantida e, naturalmente, os
progressistas não gostavam dele, porque ele lembrava os princípios
fundamentais da teologia e da verdade.
Então veio João XXIII, ele que não tinha o
temperamento de Pio XII. João XXIII era um homem muito simples, muito
familiar. Ele não via problemas em lugar nenhum.
Quando ele quis fazer um sínodo em Roma,
lhe disseram: «Mas, Santo Padre, um sínodo tem que ser preparado, é
preciso ao menos um ano, talvez dois, para preparar tal reunião, afim de
que os frutos sejam numerosos e que as reformas possam ser
verdadeiramente estudadas e em seguida aplicadas para que Vossa diocese
de Roma tire proveito. Isto não pode se fazer assim, no espaço de dois
ou três meses e depois quinze dias de reuniões, e tudo irá bem. Não é
possível !».
«Ah, sim, sim, eu conheço, eu sei, vamos fazer um pequeno sínodo, vamos preparar isso em alguns meses e tudo irá bem».
Preparou-se o sínodo rapidamente:
comissões em Roma, todo mundo trabalhando. Quinze dias de sínodo e
depois tudo acabou. O Papa João XXIII estava contente, seu pequeno
sínodo foi feito; resultado: nenhum. Nada mudou na diocese de Roma. A
situação ficou exatamente a mesma.
À deriva com o Concílio
A mesma coisa para o Concílio. «Tenho a
intenção de fazer um Concílio». Já o Papa Pio XII tinha sido solicitado
por certos cardeais para reunir um Concílio. Mas ele recusou, estimando
que isso seria impossível. Não se pode, dizia ele, na nossa época, fazer
um Concílio com 2.500 bispos. As pressões que se pode sofrer do fato
dos meios de comunicação social são muito perigosas para que se possa
reunir um Concílio. Corre-se o risco de perder o controle. E ele não fez
o Concílio.
Mas o Papa João XXIII disse: não se pode
ser pessimista; é preciso ver as coisas com confiança. Vamos nos reunir
durante três meses, com todos os bispos do mundo inteiro. Começamos em
13 de outubro e entre 8 de dezembro e 25 de janeiro, tudo terminado,
todo mundo vai embora e volta para suas casas e acaba-se o Concílio.
E o papa lançou o Concílio! Era preciso
prepará-lo. Não se faz um Concílio como um sínodo. Foi preciso
prepará-lo dois anos antes. Fui nomeado pessoalmente membro da Comissão
Central Preparatória, sendo arcebispo de Dakar e presidente da
Conferência Episcopal do Oeste Africano. Eu vim, então, a Roma, durante
dois anos, ao menos umas dez vezes, para participar das reuniões dessa
Comissão Central Preparatória que era, de fato, muito importante porque
para ela todos os documentos das comissões secundárias eram enviados,
para serem estudados e submetidos ao Concílio. Havia nessa comissão
setenta cardeais e uns vinte arcebispos e bispos, além dos peritos. Mas
estes não eram membros da comissão. Estavam lá somente para serem
eventualmente consultados pelos membros.
A aparição da divisão
Ora, durante esses dois anos, as reuniões
se sucederam e apareceu claramente, para todos os membros que estavam
presentes, que havia uma divisão profunda no interior da Igreja. Uma
divisão profunda, não acidental ou superficial, mas uma divisão profunda
mais ainda entre os cardeais que entre os arcebispos e bispos. Na
ocasião dos votos que foram feitos vimos os cardeais conservadores
votarem de uma maneira e os cardeais progressistas de outra. E todos os
votos eram sempre mais ou menos no mesmo sentido. Está claro que havia
uma divisão real entre os cardeais.
Relatei em um de meus livros, Un Evêque
Parle, um pequeno incidente que sempre lembro porque caracteriza
verdadeiramente o fim dessa Comissão Central e o início do Concílio. Foi
durante a última sessão; nós tínhamos recebido dois documentos sobre o
mesmo tema. O Cardeal Bea tinha preparado um texto De Libertate
Religiosa,“Da Liberdade Religiosa”. O Cardeal Ottaviani tinha preparado
um outro: De Tolerantia Religiosa, “Da Tolerância Religiosa”.
Tratando do mesmo assunto, já os dois
títulos eram significativos de duas concepções diferentes. O Cardeal Bea
falava da liberdade de todos as religiões e o Cardeal Ottaviani da
liberdade da religião católica e da tolerância do erro, tolerância das
falsas religiões. Como isso poderia se arrumar em comissão ?
E desde o começo o Cardeal Ottaviani
apontou o dedo sobre o Cardeal Bea e lhe disse: «Eminência, não tens o
direito de fazer esse documento». O Cardeal Bea respondeu: «Perdão, como
presidente da Comissão de Unidade eu tinha perfeitamente o direito de
fazer esse documento. Logo, eu fiz esse documento cientemente. E, aliás,
eu sou radicalmente opositor de vossa tese.
Assim, dois cardeais dos mais eminentes, o
Cardeal Ottaviani, prefeito do Santo Ofício, e o Cardeal Bea, confessor
do Papa Pio XII, jesuíta, tendo uma grande influência sobre todos os
cardeais, que era bem conhecido no Instituto Bíblico, que fez estudos
bíblicos muito superiores. Ou seja, duas personalidades eminentes que se
opõem sobre uma tese fundamental na Igreja. Outra coisa é a liberdade
de todas as religiões, isto é, por-se sobre o mesmo pé a liberdade e o
erro e depois, de outro lado, a liberdade da religião católica e a
tolerância dos erros.
É totalmente diferente. Tradicionalmente a
Igreja foi sempre pela tese do Cardeal Ottaviani e não por aquela do
Cardeal Bea, que é totalmente liberal.
Então, o Cardeal Ruffini, de Palermo, se
levantou e disse: «Nós estamos na presença de dois confrades que se
opõem um ao outro sobre uma questão muito importante na Igreja. Nós
vamos ser obrigados a apelar à autoridade suprema».
Com freqüência, o papa vinha presidir
nossas reuniões. Mas ele não estava nessa última. Então os cardeais
pediram para votar: «Nós não queremos esperar ir ver o Santo Padre, nós
vamos votar». Fizeram um voto. A metade dos cardeais, mais ou menos,
votou pela tese do Cardeal Bea e a outra pela do Cardeal Ottaviani. Ora,
todos os que votaram pelo Cardeal Bea eram os cardeais da Holanda, da
Alemanha, da França, da Áustria, todos, em geral, da Europa e da América
do Norte. Quanto aos cardeais tradicionais, eles eram da Cúria romana,
da América do Sul e em geral os de língua espanhola.
Era uma verdadeira ruptura na Igreja. E
desde esse momento eu me perguntei como o Concílio iria se passar, com
oposições parecidas sobre teses também importantes. Quem vai prevalecer?
É o Cardeal Ottaviani com os cardeais de língua espanhola e de língua
latina, ou os cardeais europeus e os da América do Norte?
E, com efeito, a luta começou
imediatamente no interior do Concílio desde os primeiros dias. O Cardeal
Ottaviani apresentou a lista dos membros que faziam parte das comissões
preparatórias, dando plena liberdade a cada um de escolher o que
queria. Porque era evidente que nós não nos conhecíamos. Nós chegáramos,
cada um de sua diocese, como conhecer os 2.500 bispos do mundo ?
Pede-se para votar para designar os
membros das comissões do Concílio. Quem escolher? Nós não conhecíamos
os bispos da América do Sul, da África do Sul, da Índia.
Então o Cardeal Ottaviani pensou: Roma já
fez uma escolha para todas as Comissões Preparatórias, isso poderia ser
uma indicação para ajudar os padres do Concílio a escolher. Era
perfeitamente normal.
O Cardeal Lienart se levantou e disse:
«Nós não aceitamos esse procedimento. Pedimos 48 horas de reflexão afim
de melhor conhecer aqueles que poderiam fazer parte de diferentes
comissões. É uma pressão que é exercida sobre o julgamento dos padres.
Nós não o aceitamos».
O Concílio tinha começado há dois dias e já era um afrontamento entre os cardeais. O que aconteceu?
Durante essas duas horas os cardeais
liberais tinham já preparado listas variadas de todos os países do mundo
e eles distribuíram nas caixas de correio de todos os padres do
Concílio. Nós todos recebemos então uma lista propondo: membros de tal
comissão, este, aquele... de diferentes países. Muitos disseram: –
enfim, porque não? Eu não os conheço. Como a lista já está pronta, só
temos que nos servir. Quarenta e oito horas depois foi a lista dos
liberais que veio em primeiro lugar. Mas ela não passou com dois terços
de votos, como previa o regulamento do Concílio.
Então, o que faria o Papa? O Papa João
XXIII iria fazer uma exceção ao regulamento do Concílio ou aplicá-lo ?
Evidentemente os cardeais liberais tiveram medo e se precipitaram em
busca do Papa e disseram: «Escute, temos mais da metade das vozes, quase
60%. O senhor não pode recusar isso. Não se vai ainda refazer uma
eleição, não se sairá mais disso. Isto representa bem a maioria do
Concílio, só podemos aceitar isso». E o Papa João XXIII aceitou. E desde
o começo todos os membros da Comissão do Concílio foram nomeados pela
fração liberal. Pode-se calcular que influência enorme isso iria ter no
Concílio.
Estou certo que o Papa João XXIII morreu
prematuramente do que ele viu e anteviu do Concílio. Ele que pensava que
no fim de alguns meses tudo teria acabado. Um Concílio de três meses.
Todos se abraçam e voltam para casa, felizes e contentes de ter estado
em Roma e de ter feito uma boa reuniãozinha.
Ele descobriu que o Concílio era um mundo e um lugar onde haveria disputas. Nenhum texto saiu da primeira sessão do Concílio. O
Papa João XXIII ficou desconcertado e eu acho que isso acelerou sua
morte. Disseram mesmo que sobre seu leito de morte ele disse: «Pare o
Concílio, pare o Concílio».
A Revolução na Igreja
Assim se passou o Concílio. É evidente que
todos as teses, todos os textos do Concílio foram influenciados pelos
cardeais liberais e as comissões liberais. Não devemos nos espantar que
tenhamos tido textos ambíguos, favoráveis a mudanças, a uma verdadeira
revolução na Igreja.
Será que nós poderíamos ter feito alguma
coisa, nós que representávamos a facção tradicional dos bispos e
cardeais? Pouca coisa, em definitivo. Éramos duzentos e cinqüenta
favoráveis à permanência da Tradição e desfavoráveis a mudanças de vulto
na Igreja: falsa renovação, falso ecumenismo, falsa colegialidade. Nós
éramos opostos a essas coisas. Esses duzentos e cinqüenta bispos,
evidentemente, tiveram algum peso e, em certas ocasiões, os textos foram
modificados. O mal foi um pouco limitado. Mas nós não conseguimos
impedir certas teses de passar, particularmente a da liberdade
religiosa, cujo texto foi refeito cinco vezes. Cinco vezes a mesma tese
voltava. Nós nos opusemos sempre. Havia sempre duzentos e cinqüenta
vozes contra. Então o Papa Paulo VI fez adicionar duas pequenas frases
no texto, dizendo: «não há nada nesse texto que seja contrário à
doutrina tradicional da Igreja» e «a Igreja permanece sempre a
verdadeira e única Igreja de Cristo».
Então, os bispos espanhóis, em particular, disseram: «bem, já que o Papa adicionou isso, agora não há mais problema, já que não há nada contra a tradição».
Se as coisas são contraditórias, essa pequena frase contradiz tudo o
que está no interior do texto. É um esquema contraditório. Não se pode
aceitar isso. Então sobraram somente, se eu me lembro bem, setenta e
quatro bispos que permaneceram contra. É o único esquema que encontrou
uma tal oposição: 74 sobre 2.500, é pouca coisa !
Então terminou o Concílio, não podemos nos
espantar com as reformas que foram feitas. Depois de toda a história do
liberalismo, os liberais saindo vitoriosos no interior do Concílio,
exigiram do Papa Paulo VI lugares nas Congregações romanas. E, de fato,
os lugares importantes foram dados aos progressistas. Quando morria um
Cardeal, ou numa ocasião qualquer que permitisse ao Papa Paulo VI
afastar um cardeal tradicionalista, ele colocava imediatamente um
cardeal liberal no seu lugar.
Foi assim que Roma achou-se
ocupada pelos liberais. É um fato que não se pode mais negar, nem que as
reformas do Concílio foram reformas que respiram esse espírito de
ecumenismo, um espírito protestante, nem mais nem menos.
A Reforma Litúrgica
O mais grave foi a reforma litúrgica. Ela
foi operada, sabe-se, por um padre bem conhecido, Bugnini, que tinha
preparado isso muito tempo antes.
Já em 1955, o Padre Bugnini fez traduzir
os textos protestantes por Mons. Pintonello, Capelão Geral do exército
italiano, que tinha passado muito tempo na Alemanha durante a ocupação,
pois ele próprio não conhecia alemão. Foi Mons. Pintonello que disse a
mim mesmo que ele tinha traduzido os livros litúrgicos protestantes para
o Padre Bugnini, que naquele momento era um membro menor de uma
comissão litúrgica. Ele não era nada. Depois foi professor de liturgia
no Latrão. O Papa João XXIII lhe mandou embora por causa de seu
modernismo, de seu progressismo. Pois bem, ele tornou-se presidente da
Comissão da Reforma da Liturgia. É inacreditável. Eu tive ocasião de
constatar eu mesmo a influência do Padre Bugnini. Como isso pôde
acontecer em Roma.
Eu era, naquele tempo, logo depois do
Concílio, superior geral da Congregação dos Padres do Espírito Santo e
nós tínhamos, em Roma, uma Associação de superiores gerais.
Nós pedimos ao Pe. Bugnini para nos
explicar o que era sua nova missa, porque enfim, não era um pequeno
acontecimento. Depois do Concílio, logo depois, ouviu-se falar de Missa
normativa, Missa nova, novus ordo, o que é isso tudo? Não se falou disso
no Concílio. O que está acontecendo? Então nós pedimos ao Pe. Bugnini
para explicar ele mesmo aos 84 superiores gerais que se reuniram, entre
os quais eu me encontrava.
O Padre Bugnini, com muito boa
vontade, nos explicou o que era a Missa normativa: vai-se mudar isso,
vai-se mudar aquilo, vamos pôr um outro ofertório, poderemos escolher os
Canons, poderemos reduzir as orações da Comunhão, poderemos ter muitos
esquemas para o final da Missa. Poderemos dizer a Missa em língua
vernácula. Nós nos olhávamos dizendo: não é possível!
Ele falava exatamente como se nunca tivesse tido uma Missa antes dele. Falava de sua Missa normativa como de uma invenção nova.
Pessoalmente, fiquei atônito e mudo,
quando, habitualmente, eu tomo com facilidade a palavra para me opor
àqueles com os quais não estou de acordo. Não conseguia dizer uma
palavra. Não é possível que seja a esse homem que está aí diante de mim
que foi confiada toda a reforma da Liturgia Católica, do Santo
Sacrifício da Missa, dos Sacramentos, do Breviário, de todas as nossas
orações. Aonde vamos nós? Aonde vai a Igreja?
Dois superiores gerais tiveram a coragem
de se levantar. E um deles questionou o Padre Bugnini: «É uma
participação ativa, é uma participação corporal, isto é, orações vocais,
ou é a participação espiritual? Em todo caso, o senhor falou tanto da
participação dos fiéis, que parece que não se justifica mais a Missa sem
fiéis, porque toda a sua Missa foi feita em função da participação dos
fiéis. Nós beneditinos, celebramos nossas Missas sem fiéis. Então,
devemos continuar a dizer nossas Missas privadas, visto que não temos
fiéis que aí participem?»
Eu vos repito exatamente o que disse o Pe.
Bugnini, eu tenho ainda nos meus ouvidos tanto isso me chocou: «Para
falar a verdade, não se pensou nisso», disse ele!
Depois um outro se levantou e disse:
«Reverendo Padre, o senhor disse: vamos suprimir isso aqui, suprimir
aquilo lá, substituir isso por aquilo, e sempre orações mais curtas, eu
tenho a impressão que a sua nova Missa vai ser dita em dez, doze
minutos, um pequeno quarto de hora, não é razoável, não é respeitoso
para um tal ato da Igreja». E ele lhe respondeu isso: «Poder-se-á sempre
adicionar qualquer coisa». É sério? Eu ouvi com os meus ouvidos. Se
fosse qualquer um que me tivesse contado eu teria quase duvidado, mas eu
escutei eu mesmo.
Depois, no momento em que essa Missa
normativa começou a se realizar, eu estava tão horrorizado que nós
fizemos uma pequena reunião com alguns padres, alguns teólogos, de onde
saiu o “Breve exame crítico” que foi levado ao Cardeal Ottaviani. Eu
presidia essa pequena reunião. Foi dito: «É preciso ir aos cardeais. Não
se pode deixar fazer isso sem reagir.»
Então fui procurar eu mesmo o secretário
de Estado, o Cardeal Cicognani e lhe disse: «Vossa Eminência deixará
passar isto? Não é possível. O que é essa nova Missa? É uma revolução
na Igreja, uma revolução na liturgia.»
O Cardeal Cicognani, que era o Secretário
de Estado de Paulo VI, pôs a cabeça entre as mãos e disse-me: «Oh,
Monsenhor, eu bem sei: Eu estou de acordo com o senhor, mas o que eu
posso fazer ? O Pe. Bugnini pode entrar no escritório do Santo Padre e
lhe fazer assinar o que ele quer.» Foi o Cardeal Secretário de Estado
que me disse isso! Então, o Secretário de Estado, a personalidade número
dois da Igreja depois do Papa, foi posta em estado de inferioridade em
relação ao Pe. Bugnini. Ele podia entrar nos aposentos do Papa quando
ele queria e lhe fazer assinar o que ele quisesse.
Isso pode explicar, então, porque o Papa
Paulo VI teria assinado textos que ele não tinha lido. Ele disse isso ao
Cardeal Journet, que era um homem muito ponderado, professor na
Universidade de Friburgo, na Suiça, um grande teólogo. Quando o cardeal
viu essa definição da Missa na Instrução que precede o novo “Ordo”, ele
disse: não se pode aceitar essa definição da Missa; é preciso que eu vá a
Roma ver o Papa. Ele foi e disse: «Santo Padre, não podeis deixar essa
definição, ela é herética. Não podeis continuar a deixar vossa
assinatura numa coisa como essa». E o Santo Padre lhe respondeu (o
Cardeal Jounet não me disse a mim mesmo, mas a alguém que me repetiu):
«Bem, realmente, eu não a li. Eu assinei sem ler.» Evidentemente, se o
Pe. Bugnini tinha uma tal influência sobre ele, é possível. Ele dizia ao
Santo Padre: «Podeis assinar» «Mas o senhor prestou bem atenção?» —
«Sim, vós podeis assinar.»E ele assinou.
E isso não passou pelo Santo Ofício. Eu o
sei, pois o Cardeal Seper ele mesmo me disse que estava ausente quando o
Novo Ordo foi editado e que isso não passou pelo Santo Ofício. Então,
foi realmente o Pe. Bugnini que obteve essa assinatura, que contrariou
talvez o Papa, nós não sabemos, mas que tinha, sem dúvida alguma, uma
influência extraordinária sobre o Santo Padre.
Terceiro fato do qual eu fui testemunha a
propósito do Pe. Bugnini: na ocasião da permissão que estava sendo dada
para a comunhão na mão (mais uma coisa horrível!) eu achei que não
podia deixar passar isso. É preciso que eu vá ver o Cardeal Guth – um
suiço – que era prefeito da Congregação do Culto. Eu fui então a Roma,
onde o Cardeal Guth me recebeu muito amavelmente, e imediatamente me
disse: «Eu vou fazer entrar o meu segundo, o Arcebispo Antonini, afim
de que ele possa ouvir o que o senhor diz.» E nós conversamos. Eu
disse: «Escute, o senhor que é responsável pela Congregação do Culto,
não pode deixar publicar esse decreto autorizando a comunhão na mão.
Imagine todos os sacrilégios que isso vai representar. Imagine a falta
de respeito pela Santa Eucaristia que vai se espalhar em toda a Igreja. É
inadmissível, o senhor não pode deixar fazer algo assim. Já os padres
começam a dar a comunhão dessa maneira. É preciso parar isso
imediatamente. E com essa nova missa eles pegam sempre o pequeno cânon, o
segundo, que é muito breve». A esse propósito, o Cardeal Guth disse a
Mons. Antonini: «Veja, eu disse que isso aconteceria, que os padres
pegariam o cânon mais curto, para ir mais rápido, para acabar mais
rápido com a Missa».
Depois o Cardeal Guth me disse: –
«Monsenhor, se pedissem minha opinião (quando ele dizia "pedissem", era
ao Papa que ele se referia, porque só o Papa era seu superior), mas eu
não estou certo que vão me pedir (ele que era Prefeito da Congregação do
Culto, encarregado de tudo que era ligado ao culto e a liturgia!), eu
me poria de joelhos, Monsenhor, diante do Papa e lhe diria: Santo Padre,
não faça isso, não assine esse decreto! Eu me poria de joelhos,
Monsenhor. Mas eu não sei se me interrogarão pois não sou eu que mando
aqui». Isso eu ouvi com meus ouvidos. Ele fazia alusão a Bugnini, que
era o terceiro na Congregação do Culto. Havia o Cardeal Guth, o
Arcebispo Antonini e o Pde. Bugnini, presidente da Comissão de Liturgia.
É preciso ter escutado isso! É preciso compreender também minha
atitude quando me dizem: o senhor é um dissidente, um desobediente, um
rebelde.
Infiltrados na Igreja para destruí-la
(algum católico explique porque palhaços na Missa diante de Jesus Sacramentado)
Sim, eu sou um rebelde. Sim, eu sou um
dissidente. Sim, eu sou um desobediente dessa gente, dos Bugnini. Porque
são eles que se infiltraram na Igreja para destruí-la. Não é possível
fazer de outro modo.
Então, vamos contribuir para a destruição
da Igreja? Vamos dizer: sim, sim, amém, mesmo se é o inimigo que
penetrou até junto do Santo Padre e que pode fazê-lo assinar o que ele
quer? Sob quais pressões? Não sabemos. Existem coisas escondidas que nos
escapam, evidentemente. Alguns dizem que é a maçonaria. É possível, eu
não sei. Em todo caso, há um mistério. Como um padre que não é cardeal
nem mesmo bispo, um padre ainda jovem naquela época, que subiu contra a
vontade do Papa João XXIII, que o tinha expulsado da Universidade do
Latrão, que subiu, subiu e que chegou ao topo que se ri do Cardeal
Secretário de Estado, que se ri do Cardeal Prefeito da Congregação do
Culto, que vai diretamente ao Santo Padre e lhe faz assinar o que ele
quer. Nunca se viu nada de parecido na Santa Igreja. Tudo passa sempre
pelas autoridades. Faz-se Comissões. Estuda-se os documentos. Mas esse
rapaz era todo poderoso!
Foi ele que trouxe esses pastores
protestantes para mudar nossa Missa. Não foi o Cardeal Guth. Não foi o
Cardeal Secretário de Estado, talvez nem mesmo o Papa. Foi ele. Que tipo
de homem era esse Bugnini?
Um dia o Abade de São Paulo fora dos
Muros, beneditino que precedeu Bugnini na Comissão de Liturgia, me
disse: «Monsenhor, não me fale do Pe. Bugnini; eu sei muito sobre ele.
Não me pergunte quem ele é». Eu retomei: «Mas diga-me, porque é
necessário que as pessoas saibam, é necessário que as coisas apareçam»
«Eu não posso lhe falar do Pe. Bugnini». Logo, ele o conhecia bem. É
provável que tenha sido ele que tenha pedido a João XXIII de sair da
Universidade do Latrão.
Este conjunto de coisas nos mostra que o
inimigo penetrou no interior da Igreja, como já dizia São Pio X; ele
está no mais alto cume, como anunciou Nossa Senhora de La Salette, e
como está, sem dúvida, no terceiro segredo de Fátima.
Mas, se o inimigo está realmente dentro da
Igreja, deve-se lhe obedecer? Ah! sim, ele representa o Papa... Antes
de tudo, não se sabe de nada, não se sabe o que pensa o Papa.
(algum católico explique estes 2 facões em cima do Altar Sagrado na Missa, diante de Jesus Sacramentado)
É bem verdade que eu tenho provas pessoais
de que o Papa Paulo VI era muito influenciado pelo Cardeal Villot.
Diziam que o Cardeal Villot era maçom. Não sei. Aconteceram coisas.
Fotocopiaram cartas de maçons endereçadas ao Cardeal Villot. Não tenho
as provas. Mas, de qualquer forma, o Cardeal Villot tinha grande
influência sobre o Papa. Ele reuniu em suas mãos todos os poderes em
Roma. Tornou-se o mestre, muito mais do que o Papa. Tudo passava por
suas mãos. Isso eu sei. Um dia, fui ver o Cardeal Wright, sobre o
catecismo canadense. Eu lhe disse: «Veja esse catecismo. O senhor
conhece estes livretos intitulados Ruptura? São abomináveis. Eles
ensinam às crianças a romper: romper com a família, com a sociedade, com
a Tradição...são os catecismos que se ensina às crianças no Canadá, com
Imprimatur de Mgr. Courdec. O senhor é encarregado dos catecismos no
mundo inteiro, o senhor está de acordo com este catecismo?» «Não, não -
me disse ele - este catecismo não é católico» «Ele não é católico? Diga
isso imediatamente à Conferência Episcopal do Canadá. Diga-lhes para
parar, de joga-lo no fogo e retomar verdadeiros catecismos». «Como quer o
senhor que eu me oponha a uma Conferência Episcopal?»
Eu disse então: acabou-se. Não há mais
autoridade dentro da Igreja. Terminado! Se Roma não pode dizer mais nada
a uma Conferência Episcopal, mesmo se ela esta destruindo a Fé das
crianças, então é o fim da Igreja.
(oferendas para os Orixás em plena Missa, diante de Jesus Sacramentado??)
Esta é a situação: Roma tem medo das
Conferências Episcopais. Estas Conferências são abomináveis. Na França,
existe uma campanha patrocinada pelos bispos em favor da contracepção.
Acho que eles foram convencidos pelo governo socialista que passa
constantemente na televisão este slogan: tome a pílula para impedir o
aborto. Eles não acharam nada melhor do que isso e fazem uma campanha
irracional em favor da pílula. Elas são subvencionadas para meninas de
doze anos, para evitar o aborto! E os bispos aprovam! No boletim da
diocese de Tulle, que continuo a receber porque é a minha antiga
diocese, havia documentos oficiais em favor da contracepção, firmados
pelo bispo, Mgr. Bruneau, um antigo superior geral dos padres de Saint
Sulpice, um dos melhores bispos da França. É assim!
Percebemos que os que estão habituados a
freqüentar a nova missa e os novos sacramentos, pouco a pouco mudam de
mentalidade. Alguns anos mais tarde, conversando com alguém que vai
nessa nova missa, nessa missa ecumênica, percebemos que adotou o
espírito ecumênico. Termina-se colocando todas as religiões no
mesmo plano. Podemos perguntar-lhe: pode-se salvar pelo protestantismo,
pelo budismo, pelo islamismo? Ele responderá: mas claro, todas as
religiões são boas. E pronto! Tornou-se um liberal, protestante. Não é
mais católico.
Só existe uma religião, não há duas. Se
Nosso Senhor é Deus e se Deus fundou uma religião, a religião Católica,
não pode haver outras religiões, não é possível. As outras religiões são
falsas. É por isso que o Cardeal Ottaviani disse: «Da tolerância
religiosa». Tolera-se os erros porque não se pode impedir que eles se espalhem. Mas não se os coloca em pé de igualdade com a Verdade.
Ou então se acaba com o espírito missionário. Se todas essas falsas
religiões salvam, então porque sair em missão, para quê? Deixem-nos em
suas religiões e eles vão se salvar...Não é possível. O que fez a
Igreja durante vinte séculos? Porque todos esses mártires? Porque todos
os que foram massacrados nas missões? Os missionários perderam seu
tempo, perderam seu sangue, perderam suas vidas! Não podemos aceitar
isso.
Precisamos permanecer católicos e é muito perigoso escorregar no ecumenismo e embarcar numa religião que não é mais católica.
Fonte: http://www.capela.org.br e www.rainhamaria.com.br
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