Ontem a terra tremeu em certos meios “tradicionalistas“, em certos
grupos conservadores. Não literalmente, claro!, mas porque um dos
portentos dessa nova corrente de católicos caiu diante do status quo
reinante no Vaticano, caiu diante de uma política sistemática de
perseguição aos desafetos de Jorge Mario Bergoglio. Ontem foi destituído
de suas funções o bispo paraguaio Dom Rogelio Livieres. Como poderia
ser diferente?
Para a mídia secular, inclusive a mídia estrangeira, o abate de Dom
Livieres foi devido à acolhida e promoção de um padre acusado de cometer
abusos contra menores nos Estados Unidos, conforme podemos ler aqui,
aqui e aqui. Ocorre que, e desculpem-me a sinceridade em acusá-los de
tolos, ingênuos, iludidos, ainda que o padre em questão tivesse de fato
cometido algum crime contra algum menor, o que nunca ficou comprovado, a
ação do Vaticano é completamente incompreensível quando a comparamos
com sua complacência em outras situações. A razão, de fato, ao que tudo
indica, da expurgação de Dom Livieres, deve-se unicamente às suas
posições, consideradas católicas demais, mesmo contra seus pares.
Além do mais, num país e num continente assolado pela falta de
vocações, a piedade e o zelo de Dom Livieres acabaram transformando sua
diocese num celeiro de vocações, que, de longe, em comparação a outras
regiões, são muito superiores em qualidade e em quantidade.
Assim, foi justamente sua posição conservadora que o colocou na linha
de mira daqueles que estão impregnados até a medula pela falsa religião
humanista. Dom Livieres era um luzeiro no meio das trevas eclesiásticas
dos nossos dias. E por ser luzeiro, ele era um inimigo a ser abatido por
essa “Igreja conciliar”.
O mesmo procedimento, aliás, está sendo adotado entre os Franciscanos
da Imaculada, que estão vendo sua ordem florescente ser reduzida a pó.
Mas aí vem uma questão? Por que tanta complacência com dioceses onde
pululam escândalos, por que tanta tolerância com ordens que se parecem
mais com uma gaiola das loucas, por que tanto “amor e compaixão” em
outros casos de visitação apostólica, como entre as freiras dos Estados
Unidos, e tanto ódio e rancor contra aqueles que estão mais próximos da
ortodoxia?
É aqui que entra a ingenuidade dos conservadores, porque eles ainda não
perceberam que a Tradição, nesse redil emporcalhado, só pode caminhar
até certo ponto, enquanto que o erro, difundido às pencas desde o
pastoral Vaticano II, tem curso livre.
A Tradição, como bem lemos num artigo do padre Storez, só pode existir
na “Igreja conciliar” como se fosse uma reserva indígena, ou seja, com
limites bem definidos. Ultrapassados esses limites, a auto-intitulada
hierarquia tolerante age como um rolo compressor para colocar as coisas
nos seus devidos lugares. E depois ainda tem gente que se espanta com
essa política gritando “tragédia”! Tem gente que afirma que é preciso se
organizar mais para difundir a missa nas dioceses! Tenham paciência,
meus caros! Encarem a dura realidade, ou seja: na estrutura “oficial”,
só podemos existir enquanto guetos muito bem observados e tolhidos.
Assim o é, assim sempre o será, pois não há a possibilidade, ainda que
mínima, da tal convivência pacífica das “duas formas do rito romano“, da
Fé católica e da fé modernista, porque ambas, obviamente, são
excludentes. E é isso que as pessoas teimam em não perceber. A Fé que se
esconde atrás da Missa católica é completamente diferente da fé que há
por trás da missa nova. São dogmas diferentes, doutrinas diametralmente
diferentes! E não me venham com argumentos de alta teologia e direito
canônico para negar o óbvio. A simples leitura de livros como a Candeia
debaixo do alqueire basta para ver que essas desculpas não passam
daquilo que elas realmente são: desculpas.
A verdade é que muitos grupos, seduzidos pelo comodismo da pomposa Roma
modernista ou pelas loucuras de certos líderes, preferem tapar o sol
com a peneira. Eles lutam não pela restauração da fé, mas simplesmente
por um estilo de vida que gira em torno da Missa em latim. Não por
menos, muitos deles vão à “missa nova”, defendem certas doutrinas do
Vaticano II, creem firmemente que acordos com modernistas podem ajudar a
salvar alguma coisa internamente. Vejam o caso do IBP, vejam a FSSP,
vejam todas as comunidades Ecclesia Dei! Praticamente todas entoaram
cânticos de louvor a “São João Paulo II”; praticamente todas já aceitam
ou propagam erros do CVII. Praticamente todas já aceitam, senão
celebram, a “missa nova”. Vejam Campos, vejam Dom Rifan, o abade do
Barroux!
Não, meus caros, não dá para mudar a situação dessa forma!
Devemos assumir posições sem covardia, devemos sair da nossa zona de
conforto sem medo, pois é por conta da nossa ingenuidade que cabeças
estão sendo cortadas, que bons bispos estão sendo destituídos por sua
ortodoxia, que o fogo da fé está sendo apagado por toda parte, e de
forma praticamente irreversível.
Falta àqueles que se dizem católicos uma posição mais firme e
verdadeira contra o erro, sem o otimismo exagerado de que água e óleo um
dia se misturarão, de que a pequena gotinha de água converterá o óleo
pútrido do modernismo num bálsamo sublime.
Contra a heresia e o erro devemos oferecer o combate, não
flores e sonhos! Para limparmos a sujeira, a lama que espalharam por
toda parte, não precisamos de modo algum nos sujarmos com ela, pensando
que seremos aceitos e mais bem sucedidos na difusão da mensagem
Evangélica!
Nosso Senhor tratou sim com todos, mas ele jamais assumiu uma vírgula
de suas posições! Nosso Senhor esteve sim entre pecadores, prostitutas,
mas ele jamais camuflou a verdade para obter mais sucesso na conversão
de seus auditores. Devemos sim debater, conversar, encontramo-nos,
sermos tolerantes com essas pessoas, mas sem adotar, em nome da
restauração do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, tais
bandeiras como fim de nossas ações, negando a verdade. Isso seria
suicídio!
Que Deus nos ajude e guie os poucos bispos fiéis neste momento!
Por Robson Carvalho
P.S. Para os que não entenderam, esse não é um artigo nem um texto de
teologia, não é um tratado. É apenas um desabafo de quem está cansado de
tantas e tantas desculpinhas.
Fonte: http://catolicosribeiraopreto.com
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