Mais de 100 poços amazonas, artesianos e semi-artesianos serão
interditados em Velha Jacy, comunidade próximo a Jacy-Paraná, distrito
de Porto Velho distante cerca de 90 quilômetros da capital. A decisão
será tomada pela Sala de Gerenciamento de Crise, atendendo a
recomendações da pesquisadora Irma Nelly Guttierrez Rivera, professora
da Universidade de São Paulo (USP) e embaixadora do Brasil na Sociedade
Americana de Microbiologia (ASM). "Neste momento é impossível mensurar
quais doenças essas pessoas estão contraindo", afirma a pesquisadora.
Velha Jacy não possui rede urbana para água tratada, e uma população
estimada em 4 mil pessoas depende, exclusivamente, de vertentes e poços.
"Sem tratamento de esgoto, todo o dejeto produzido ali está indo direto
para a água do rio, que afeta outros milhares de habitantes, elevando o
risco de doenças diarreicas", avalia a professora. Nos primeiros meses
de 2014, 45 casos de leptospirose foram confirmados, sendo 15 na
capital, que enfrenta a cheia histórica do Rio Madeira.
Mais de 16,5 mil pessoas estão fora de suas casas, 12 bairros estão
inundados, com contaminações imprevisíveis. "Os poços estão submersos.
Somente quando as águas baixarem haverá uma avaliação na capital.
Certamente, 100% dessas fontes estão infestadas de toda a sorte de
micróbios, bactérias", concluiu o secretário de Saúde Domingos Sávio.
Como medida de prevenção, a Companhia Estadual de Esgoto (Caerd),
aumentou a dosagem de produtos químicos na água enviada às áreas central
e norte da cidade, as mais afetadas pela cheia. "Nossa rede está
submersa. Estamos monitorando o sistema para a descontaminação
bacteriológica, sem carregar na concentração de cloro", disse o diretor
de Operações da companhia, Nelson Marques.
Para amenizar os problemas, a Caerd vai transferir o motor das bombas
d’água para um flutuante no Rio Madeira, por conta da cheia histórica,
que invadiu a casa de bombas da estação de abastecimento.
O secretário de Saúde de Porto Velho, Domingos Sávio, disse que a
avaliação de risco apontou "comportamentos "muito sérios das famílias
que não estão desabrigadas, mas foram atingidas e continuam utilizando
essa água para beber e cozinhar". As autoridades e demais instituições
aliadas aos órgãos de Defesa Civil do estado e do município, buscam
soluções para garantir o consumo de água limpa após a interdição, que
pode ocorrer nas próximas horas. "O envio de carros pipa é uma ideia em
estudo", informou o secretário.
A pesquisadora sugere que o poder público adote, imediatamente, uma
campanha de educação e saúde para mudar o hábito das famílias que
dependem do Rio Madeira e seus afluentes transbordados. "Já passou da
hora de verificarmos os agravos mais frequentes durante a enchente
relacionados ao consumo de água", alerta Irma.
A professora alegou problemas de agenda, o que a impossibilitou de
visitar outras cidades atingidas pela cheia histórica do Rio Madeira.
Porém, ao retornar a São Paulo, ela levou amostras de água para mensurar
quais doenças os rondonienses atingidos estão sujeitos durante e depois
da cheia.
Fonte: G1
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