Santo João Paulo II, rogai por nós.
Nestes dias em que celebramos o tríduo Pascal, podemos perceber
intensamente as dores físicas e morais que Nosso Senhor teve que sofrer
pela nossa salvação. De uma forma não menos terrível, sofre a sua Igreja
uma paixão dolorosa, estando já nestes tempos crucificada, no vértice
do Calvário da história. Seus inimigos internos representados
por Judas e os Pontífices a atraiçoam ou repetem o famoso brado:
crucifige eam. Seus inimigos externos, representados por Pilatos, digna
figura da hipocrisia dos Estados liberais e secularizados, já lhe
declararam a condenação à morte.
Esta é a hora da paixão da Igreja.
O bem-aventurado Francisco Palau escrevia o jornal El Ermitaño com o objetivo de lutar contra as hostes de Satanás e tudo o que implica a Revolução e a impiedade
que se unem para empreender uma ofensiva contra a Igreja. A Revolução,
ou o “Antro tenebroso”, como ele a denomina significa “todos os poderes
da terra coligados com os do inferno em guerra contra Cristo e sua
lgreja”. “Esta atividade implica a romper a ordem e atacar os princípios da verdadeira legislação dada por Deus” (El Ermitaño, 29 de Julho de 1869 p.2)
Muitos como ele visualizaram já no século XIX esta conjuntura
desoladora. Entretanto, não são poucos os que, ainda hoje, consideram o
avanço da Revolução como um progresso e um benefício. Não percebem os
sinais dos tempos e ainda são capazes de abraçar a causa da Revolução
como se tudo o que vemos nos dias de hoje fosse “paz e prosperidade”.
Foi destes tais, “inimigos da cruz” que disse o Senhor: “O meu tempo
ainda não chegou, mas para vós a hora é sempre favorável. O mundo não
vos pode odiar, mas odeia-me, porque eu testemunho contra ele que as
suas obras são más.” (Jo 7, 6-7) De fato, “o mundo não pode odiar” quem o
aplaude e lhe apoia ao invés de testemunhar contra ele! Esta ação
contínua e ostensiva que flagela, humilha e crucifica a Santa Igreja nos
faz chorar com a liturgia do ofício de trevas desta quinta-feira santa:
“omnes portae ejus destrúctae: sacerdotes ejus gementes: vírgines ejus
squálidae, et ipsa oppréssa amaritúdine”. Suas portas estão destruídas porque já não há mais limites de objetividade na fé e nos costumes.
Seus sacerdotes gemem porque já não tem força para sustentarem um
ministério que depende da virtude do sangue de Cristo que não conhecem
mais e suas virgens estão desgastadas porque tem cessado a corrente
intercessora das virgens consagradas. “Vereis que o diabo se introduziu no lugar sagrado, e corrompe, perverte, confunde, prova”
(“El suicidio”, El Ermitaño, Nº 87, 7-7-1870). “quia vidit Gentes
ingressas Sanctuárium suum, de quibus praecéperas ne intrárent in
ecclésiam tuam.” (lamentações).
Diante deste quadro, sombrio nos resta refugiar-nos sob o manto
de Nossa Mãe Santíssima, a Virgem poderosíssima como um exército em
ordem de batalha e, com ela sustentarmos o combate da oração,
com ela mantermos a vigilância, com ela esperarmos a ressurreição… Que
Deus venha em socorro de sua Igreja e faça resplandecer de novo a graça e
a beleza que emanam da Santa Cruz! “Tu exsúrgens miseréberis Sion quia
tempus miseréndi ejus, quia venit tempus.” (Sl. 101)
* * *
El Ermitaño é a comunicação oficial dos Carmelitas Tradicionais,
outrora estabelecidos na Diocese de Bragança Paulista, SP, e hoje
acolhidos pela diocese de Ciudad del Este, Paraguai. Os destaques são do
original.
Fonte:http://fratresinunum.com/
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