Presidente da Nestlé Chairman Peter Brabeck-Letmathe
“Cada
vez está mais claro que a água doce é um recurso finito, vulnerável à
contaminação - que é excessiva por parte das empresas transnacionais.
Esta situação contribuiu para conceber a água como um bem mercantil e
não como um direito fundamental, em prejuízo à satisfação das
necessidades humanas básicas, das concepções ancestrais das comunidades
étnicas, gerando assim maior desigualdade social e afetando, por sua
vez, a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas” é o que destaca a
analista venezuelana Sylvia Ubal.
Artigo publicado por Barometro Internacional, 12-08-2014. A tradução é do Cepat.
Eis o artigo.
Sem água a humanidade não poderia nem respirar nem digerir seus alimentos
A
água é imprescindível para a vida dos seres humanos e dos ecossistemas.
É um dos principais elementos para a saúde tanto do planeta como dos
animais que o povoam, além de ser fundamental para o ser humano: nenhum
ser vivo pode sobreviver sem este líquido vital. A água constitui de 50 a
99% da massa dos organismos vivos, sendo que, os processos biológicos
que conhecemos como “vida” não poderiam existir sem a água, sem ela o
ser humano não poderia digerir seus alimentos, não poderiam respirar sem
umidade em seus pulmões e o sangue não poderia circular por suas veias.
Sem água, não há vida, é um requisito prévio para a saúde humana e seu
bem-estar, assim como para a conservação do meio ambiente.
Contudo
são muitas as pessoas que não têm acesso a uma fonte de água potável. A
cada ano, milhões de pessoas, a maioria delas crianças, morrem por
causa de enfermidades relacionadas ao saneamento, higiene e ao
fornecimento inadequado de água. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, (OMS),
mais de 1,1 bilhão de pessoas não tem acesso à água potável segura. Por
isso, e devido à importância que a água potável tem para os seres
humanos, é vital o reconhecimento e garantia do direito de dispor de tal
recurso.
É
evidente a problemática que existe em torno da escassez da água
potável, seu difícil acesso em muitas regiões do mundo e a má qualidade
da mesma, além do saneamento inadequado, questões que afetam
negativamente a segurança alimentar. Os desastres naturais relacionados à
água, como inundações, tormentas tropicais e tsunamis são uma pesada
carga na vida humana, mas, paradoxalmente, há a regularidade na seca que
afeta os países mais pobres do mundo, fator que agrava a fome e a
má-nutrição, que também são consequências da globalização e do
aquecimento global.
No
direito humano à água, há países que são muito mais prejudicados do que
outros pela escassez desse recurso, situação que nos leva a pensar na
problemática que pode ser suscitada em um futuro não muito distante: a
luta entre os países por esse precioso líquido, de maneira que tal
situação se torne um conflito internacional baseado na obtenção desse
recurso vital.
Os processos de industrialização contaminam a água
A
água se viu submetida a um processo progressivo de uso desmedido e de
exploração desigual. O setor industrial é, em muitos casos, a fonte mais
importante de contaminação, embora não seja o maior consumidor de água.
Os dejetos líquidos industriais, por exemplo, associados aos processos
de produção têxtil e de papel, possuem grande quantidade de contaminação
orgânica. Em geral, a indústria e a agricultura lançam grande
quantidade de poluentes químicos nos rios. Cada vez está mais claro que a
água doce é um recurso finito, vulnerável à contaminação - que é
excessiva por parte das empresas transnacionais. Esta situação
contribuiu para conceber a água como um bem mercantil e não como um
direito fundamental, em prejuízo à satisfação das necessidades humanas
básicas, das concepções ancestrais das comunidades étnicas, gerando
assim maior desigualdade social e afetando, por sua vez, a
biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas. Há uma exploração
desmedida do recurso, orientada para o enriquecimento das empresas e
corporações.
A expansão deste negócio exige das grandes corporações de bebidas e alimentação como a Coca Cola, Pepsi Cola, Danone, Nestlé...,
a ter cada vez mais acesso aos recursos hídricos, impulsionando a
privatização de água e aquíferos. E o setor da água engarrafada está
crescendo muito rapidamente em todo o mundo, sendo o negócio mais
lucrativo atualmente, mas também é um dos menos regulados, o que dá
lugar a situações verdadeiramente escandalosas.
As
fábricas que engarrafam, em muitos casos tomam a água da mesma rede
destinada para uso público. Muitas vezes, como a Coca Cola, acrescentam
um pacote de minerais e a chamam de “água mineral”. Com este proceder,
aumentam o preço da água de garrafa em mais de mil vezes, engarrafando-a
e tornando-se um dos negócios mais descarados do mundo capitalista.
Nestes
tempos da globalização estamos assistindo uma concentração
impressionante da indústria em torno de quatro a cinco multinacionais
que estão criando um monopólio. Indústrias como Nestlé, Danone, Coca Cola, Pepsi Cola, possuem
dezenas de marcas em torno de cada uma delas, que marcam o preço e a
qualidade da água sem controle algum. Nos Estados Unidos mais de um
terço da água engarrafada é simplesmente água de torneira tratada ou
não; sendo um negócio monopolizado pela Nestlé e Danone, as líderes
mundiais.
O presidente da Nestlé contra o direito da água prevê a privatização
Em uma entrevista recente o Sr. Peter Brabeck-Letmathe (foto), atual presidente do grupo multinacional alimentício Nestlé disse que “A água não é um direto, deveria ter um valor de mercado e ser privatizada”.
O empresário se mostrou a favor de que haja um controle privado e
mercantilista da água a nível mundial de fornecimento da água em todo o
planeta.
Também disse que a ONU
tem como um direito fundamental o acesso à água e, como é sabido,
milhões de pessoas no terceiro mundo têm problemas diários até para
bebê-la. Responsável pelas grandes enfermidades, secas e demais
problemas, a falta de água é um problema a nível planetário, mas este
empresário sem escrúpulos é, inclusive, a favor de colocar mais
obstáculos ao seu livre acesso.
O
empresário austríaco chegou a dizer que ela deveria tornar-se ainda
mais cara, porque se for barateada na atualidade haverá desperdício. Ele
também qualificou como “extremistas” seus
críticos que pedem que a água seja um direito fundamental. Sua
companhia, todavia, é a líder mundial nas vendas de água engarrafada.
Na América do Sul,
as multinacionais estrangeiras estão adquirindo grandes áreas de
natureza selvagem, dentre elas sistemas hidrográficos integrais que
serão usadas em um futuro não muito distante. Destaca-se neste sentido o
aquífero Guarani, onde as grandes multinacionais estão apropriando-se de terras para explorar a água.
Fonte: http://www.sinaisdoreino.com.br

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