Na causa de Deus, todo homem, de acordo com a expressão de
Tertuliano, nasceu soldado. Eis porque os verdadeiros servos da Igreja
param na arena.
Alguns, sob a sombra das árvores, sobre a relva florida, à beira
d’água, puderam sonhar, em um proselitismo idílico, com um abraço
fraterno de Jesus e de Belial. Estes são diletantes, frequentemente
ingênuos, sempre egoístas, logo iludidos.
A banalidade da comparação não a torna menos exata: a vida, com suas
esperanças, suas decepções e suas angústias, é um longo esforço, uma
guerra verdadeira onde evitamos a emboscada, onde atiramos, onde
lançamos e repelimos o assalto.
Para os católicos, a batalha é incessante: inicialmente, contra suas
próprias paixões; depois, a fim de afastar os inimigos da Igreja, sua
mãe, fonte de todo direito e de todo bem. Censurar estes lutadores pela
falta de caridade, visto que eles não viram as costas para quem os
molesta ou os ameaça, é uma injustiça ou uma ironia.
Eles portam as armas por vocação, necessidade ou dever, nunca por ira. A
definição que Dom d’Hulst dava do cristão é completamente justa: “Um
homem pacífico que luta sempre”.O valor exclui a bazofia, e a verdadeira
coragem sabe permanecer modesta. O soldado da Igreja só se assegura de
sua vontade. Ele não propaga uma virtude que pode lhe escapar. Apenas
ele não é cego, e, sem se comparar, ele vê os defeitos dos outros. Lança
ele uma flecha mais afiada? É a estupidez do adversário que provocou a
inspiração da resposta. Um católico afasta facilmente o ódio. Nem sempre
ele consegue afugentar o desprezo.
A palavra de um velho guerreiro é apropriada nesta ocasião. O general
Folloppe tinha razão: “Fracos como todo filho de Adão, não adjuramos as
promessas do nosso Batismo. Se nossos pecados, tão maiores por causa das
graças que recebemos, merecerem provavelmente uma expiação mais severa,
ao menos teremos a consolação de não termos blasfemado contra Deus, nem
renegado nossa fé por um tempo”. Nada a mais, nada a menos. Aos
esforços cotidianos dos católicos contra as doutrinas do sensualismo, as
facilidades da moral e as tentações do sucesso, não conheço outra
explicação, não vejo outra causa.
A doçura é uma qualidade encantadora para os dias calmas: eles são raros.[...]
“Não queremos fazer nada publicamente, mas tudo o que fizermos, nós o
faremos audaciosamente. Esta audácia do cristão será o instrumento da
salvação para a religião, para a França e para a liberdade, que só é
amada realmente e sinceramente por nós. Se não nos faltar coragem, se
esta desastrosa covardia, que ora chamam de respeito humano, ora de
ligação a algumas vantagens temporais miseráveis, não nos detiver,
seremos, ainda que em pequeno número, os mais fortes, porque Deus
combaterá por nós”, diz Veuillot.
Assim sendo, podemos chamar de soldados da Igreja estes discípulos do
Evangelho, sem ignorar a segunda beatitude do Sermão da montanha, sem
trair as máximas da caridade, nem transformar, por este apelo belicoso, o
santuário em caserna. Um “homem de armas” não significa dizer um chefe
mercenário, nem um valente. E servir sem soldo não é obra de mercenária.
Soldados do exército regular, eles têm o respeito, o culto por seu
uniforme. Eles não conseguiriam se armar como corsários. E seus
batedores, caminhando como crianças perdidas ou andando à espreita,
ainda continuam na mão dos líderes, estritamente disciplinados.
Eles são joviais, tendo a consciência tranquila. E para aliviar a
extensão do caminho, de paradas em paradas, eles vão cantando as canções
de estrada. A alegria da honra os sustenta, os anima, os levanta. Entre
eles, mesmo os mais sérios têm uma palavra viva, uma palavra alerta,
uma resposta bem corajosa que coloca os trocistas do lado certo. .
Seu modo é a arma branca, à luz do dia, fronte elevada, peito aberto.
Aqui não há balas envenenadas. Eles preferem a espada e a baioneta ao
revólver e à metralhadora. Se alguma artilharia pesada ribomba em sua
honra, eles seguem com respeito as curvas sábias que calcam a terra, com
certa impaciência também, esperando que o clarão do disparo tenha
lançado ao céu suas notas suaves.
Obedientes, eles se tornam instrumentos admiráveis para o general que
dirige a manobra. Acostumados ao comando, eles estão aptos a todas as
formações, eles estão sempre prontos à todas as oportunidades da
batalha.
[...] Dispostos atrás das velhas bandeiras que – a haste encimada pela
cruz -, ao vento, faz a imagem da pátria flutuar, eles possuem um único
estandarte para todo o regimento, que se liga, se a circunstância se
torna premente, às pequenas bandeirolas de cada companhia: aqui uma
água, ali uma lança de ferro, mais adiante uma flor de lis.
Sob estas cores se apresentam os contemporâneos… Não os escolhi por
acaso. O nome deles cintilou naturalmente na ponta da minha pluma. Sem
esforço, encontrei espíritos nobres com quem voluntariamente mantive
relações…Alguns exemplos serão suficientes. A característica destes
heróis é muito simples: o serviço mais completo possível à verdade
eterna, a adesão mais restrita possível às exigências passageiras das
circunstâncias. A sinceridade é seu mérito, o devotamento constitui toda
sua retidão.
Vários são ilustres, outros menos famosos. Todos falam a mesma língua. E
esta uniformidade confere uma marca fraterna à diversidade de seu
acento. Bispos, padres, monges, escritores, estadistas, operários, eles
caminham juntos na via real do sacrifício, os olhos voltados para o
mesmo farol. Os pés seguros sobre o mesmo rochedo: a pátria. A igreja e a
França, dupla expressão de um amor único. Excelentes católicos, porque
eles são bons patriotas!
“O que amo em minha pátria não é somente a terra que suporta meus
passos, é o campanário à sombra do qual nasci, o altar onde fiz minha
primeira oração, o túmulo onde repousam aqueles que amei, e tudo isso é o
traço que Deus deixou ao mesmo tempo em meu coração e sobre o solo do
meu país, de modo que não posso defender um sem o outro, minha religião e
meu lar”[1].
DE GRANDMAISON, Geoffroy. Soldats de l’Église. Paris: Maison de la Bonne Presse.
Fonte: Dominus Est e www.rainhamaria.com.br
Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. (II Timóteo 4, 7)
Nota de Rainha Maria
Diz na Sagrada Escritura:
"O rei revestiu Davi com sua armadura, pôs-lhe na cabeça um capacete de bronze e armou-o de uma couraça." (I Samuel 17, 38)
"Tomai, por tanto, a armadura de
Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis
no cumprimento do vosso dever." (Efésios 6, 13)
"Coragem! E sede fortes. Nada vos
atemorize, e não os temais, porque é o Senhor vosso Deus que marcha à
vossa frente: ele não vos deixará nem vos abandonará. " (Deuteronômio
31, 6)
"Se todo um exército se acampar
contra mim, não temerá meu coração. Se se travar contra mim uma batalha,
mesmo assim terei confiança." (Salmos 26, 3)
"Ides hoje combater contra os
vossos inimigos: que vossa coragem não desfaleça! Não temais, nem vos
perturbeis, nem vos deixeis amedrontar por eles". (Deuteronômio 20, 3)
"Sustentais o mesmo combate que me tendes visto travar e no qual sabeis que eu continuo agora". (Filipenses 1, 30)
"Combate
o bom combate da fé. Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado
e fizeste aquela nobre profissão de fé perante muitas testemunhas". (I
Timóteo 6, 12)
"Escutai esse ruído sobre os
montes como vozerio de grande multidão; escutai o tumulto dos reinos e
das nações reunidas. É o Senhor dos exércitos que passa em revista suas
tropas para a batalha." (Isaías 13, 4)
Disse Santa Joana D'Arc:
"Eu preferiria morrer a fazer algo que sei ser um pecado, ou contra a vontade de Deus."
"Se não sou, talvez Deus tenha me colocado ali, e se sou, talvez Deus queira me manter lá."
"Não tenham dúvida, a hora chega quando Deus quer. Ajam, que Deus agirá!" - (motivação dada aos soldados durante questionamentos rumo à Reims)
SANTA JOANA D'ARC ROGAI POR NÓS NESTE COMBATE
Fonte: Rainha Maria.
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