quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Apoio ao Papa Francisco contra um nostálgico escritor

Leonardo Boff, teólogo brasileiro – 27 de dezembro de 2014
Leonardo Boff - Palestra Cultura e Meio Ambiente – Reflexões sobre ...Um pouco por todas as partes surge forte oposição ao Papa Francisco, ao  seu modo pastoral, aberto, ecumênico e claramente posicionado ao lado dos pobres e sofredores deste mundo. Isso ocorre dentro da Cúria Romana, com cardeais e outros prelados, e em geral em certos grupos mais conservadores do catolicismo italiano e também brasileiro. Pressionado por esses grupos, o conhecido convertido e escritor Vittorio Messori publicou, exatamente na noite de Natal, um artigo critico sobre o modo do Papa exercer seu ministério. No meu modo de ver, não podemos deixar agredida uma fonte de esperança e de alegria que o Papa Francisco, bispo de Roma e Pastor universal, trouxe para uma Igreja altamente desmoralizada e para o mundo sem condução de líderes com envergadura moral e de liderança confiável. Aqui vai a minha resposta ao escritor, na esperança de que o diário Corriere della Sera a possa publicar. Brevemente o artigo aparecerá em português, pois o escrevi diretamente em italiano:
Eu li com um pouco de tristeza o artigo crítico de Vittorio Messori no Corriere della Sera, exatamente no dia menos adequado: a feliz noite de véspera de Natal, festa de alegria e de luz. Ele tentou estragar essa alegria para o bom pastor de Roma e do mundo, o Papa Francisco. Mas em vão, pois não sabe o significado da misericórdia e da espiritualidade deste Papa, virtude que seguramente não demonstra Messori. Por trás de palavras de compaixão e compreensão traz um veneno. E o faz em nome de tantos outros que se escondem por trás dele e não têm coragem de aparecer em público.
Eu quero propor uma outra leitura do papa Francisco, como um contraponto à de Messori, um convertido que, na minha opinião, ainda precisa completar sua conversão com a recepção do Espírito Santo, para não dizer mais as coisas que escreveu.
Blog de Adriano - Iguape: um pouco do meu mundoMessori demonstra três insuficiências: duas de natureza teológica e uma outra que diz respeito à compreensão da Igreja do Terceiro Mundo.
Messori ficou escandalizado com a “imprevisibilidade” deste pastor porque “continua perturbando a tranquilidade do católico médio”. É necessário perguntar-se sobre a qualidade de fé deste “católico médio” que tem dificuldade em aceitar um pastor que tem cheiro de ovelha e que anuncia a “alegria do Evangelho”. São geralmente “católicos culturais” habituados à figura faraônica de um Papa com todos os símbolos de poder dos imperadores romanos pagãos. Agora aparece um Papa “franciscano” que ama os pobres, que não “veste Prada”, que faz uma dura crítica ao sistema que produz a miséria em grande parte do mundo, que abre a Igreja não só aos católicos, mas a todos aqueles que carregam o nome de “homens e mulheres”, sem julgá-los, mas acolhendo-os no espírito da “revolução da ternura”, como ele pediu aos bispos da América Latina que se reuniram no ano passado no Rio.
Leonardo BoffHá uma grande lacuna no pensamento de Messori. Estas são as duas deficiências teologais: a quase ausência do Espírito Santo. Eu diria mais, ele incorre no erro teológico do cristomonismo, isto é, somente Cristo conta. Não há realmente um lugar para o Espírito Santo. Tudo na Igreja se resolve só com Cristo, algo que o Jesus dos Evangelhos exatamente não quer. Por que digo isso?  Porque o que ele deplora é a “imprevisibilidade” da ação pastoral deste Papa. Ou melhor, esta é a característica do Espírito, sua imprevisibilidade, como diz São João: “O espirito sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; “(3.8). A sua natureza é a irrupção repentina com os seus dons e carismas. Francisco de Roma seguindo os passos de São Francisco de Assis se deixa conduzir pelo Espírito.
Messori é refém de uma visão linear própria de seu ““amado Joseph Ratzinger” e de tantos outros papas anteriores. Infelizmente, foi esta visão linear que fez da Igreja uma fortaleza incapaz de compreender a complexidade do mundo moderno, isolada em meio a outras igrejas e caminhos espirituais, sem dialogar e  sem aprender com os outros que também são iluminados pelo Espírito. Significa blasfemar contra o Espírito Santo pensar que os outros pensam só de modo errado. Por isso é extremamente importante uma Igreja aberta como o quer Francisco de Roma. Para perceber as irrupções  do Espírito na história. Não é sem motivo que alguns teólogos o chamam a “ fantasia de Deus”,  por causa de sua criatividade e novidade na sociedade, no mundo, na história dos povos, nos indivíduos, nas igrejas e até mesmo na Igreja Católica.
Sem o Espírito Santo, a Igreja torna-se uma instituição pesada, sem graça, sem criatividade e, em certo ponto, que não tem nada a dizer ao mundo que não seja doutrina encima de doutrina, sem despertar a esperança e a alegria de viver.
É um dom do Espírito Santo que este Papa venha  de fora do velho cristianismo europeu. Não aparece como um teólogo sutil, mas como um pastor que realiza o que Jesus pediu a Pedro: “confirma seus irmãos na fé” (Lc 22:31). Traz consigo a experiência das igrejas do Terceiro Mundo, especialmente, as da América Latina.
Esta é uma outra falha de Messori: não ter a dimensão do fato de que hoje o cristianismo é uma religião do Terceiro Mundo, como enfatizou muitas vezes o teólogo alemão Johan Baptist Metz. Na Europa vivem apenas 25% dos católicos; o resto dos 72,56% vive no Terceiro Mundo (na América Latina 48,75%). Por que não poderia vir desta maioria um que o Espírito fez bispo de Roma e Papa universal? Por que não aceitar as inovações que derivam dessas igrejas, que já não são igrejas-imagens das velhas igrejas europeias, mas igrejas-emergentes com seus próprios mártires, confessores e teólogos?
Talvez no futuro, a sede do Primado não será mais Roma e a Cúria, com todas as suas contradições, denunciados pelo Papa Francisco na reunião de Cardeais e prelados da Cúria com palavras só ouvidas da boca de Lutero e com menos força em meu livro condenado por card. J. Ratzinger “Igreja: Carisma e Poder” (1984), mas sim lá onde vive a maioria dos católicos: na América, África ou Ásia. Seria um sinal próprio da verdadeira catolicidade da Igreja no processo de globalização do fenômeno humano.
Eu esperava uma maior inteligência e abertura por parte de Vittorio Messori com os seus méritos de católico, fiel a uma espécie de Igreja e renomado escritor. Este Papa Francisco trouxe esperança e alegria para tantos católicos e outros cristãos. Não percamos este dom do Espírito em função de uma mentalidade bastante negativa sobre ele.


Leonardo Boff
Fonte http://fratresinunum.com/


Obs.: Leonardo Boff, escritor e teólogo e filósofo da Nova Era. Apoia a Nova Ordem Mundial. Apoia a exterminação da humanidade. (Leia a Carta da Terra).


Ass.: MC GUERREIRO

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