terça-feira, 24 de novembro de 2015

É uma visão aterradora, diz educador ambiental sobre chegada de lama ao mar, no litoral do Estado do Espírito Santo

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“É uma visão aterradora. As pessoas aqui de Regência estão revoltadas, principalmente os jovens, porque são envolvidos com a conservação ambiental que é parte de seu futuro aqui”, disse o educador ambiental Carlos Sangalia, do Projeto Tamar, de proteção às tartarugas marinhas. Na noite de sexta-feira, a Justiça do Espírito Santo, em níveis estadual e federal, chegaram à mesma conclusão – ainda que haja dúvidas sobre qual delas tem competência para o assunto – sobre a lama, posicionando-se a favor de que a o material escoe o mais rápido possível pelo Rio Doce e atinja o mar, trazendo menor risco à flora e a fauna costeiras.
(O 'tsunami marrom', como vem sendo chamado, é composto por rejeitos do beneficiamento de minério de ferro. Ainda não se sabe se a composição é tóxica para humanos, mas, de acordo com especialistas, ela funcionaria como uma "esponja", absorvendo outros poluentes para dentro do rio).
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A controvérsia ocorreu por que na quarta-feira a Justiça Federal em Vitória concedeu decisão em favor do Ministério Público Federal (MPF) em ação civil pública que determinava que a Samarco impedisse a lama de atingir o litoral, sob pena de multa de R$ 10 milhões. Na sexta-feira, a Vara da Fazenda Pública, Registros Públicos e Meio Ambiente de Linhares, da Justiça Estadual, determinou que a empresa deveria utilizar de todos os métodos para fazer com que a lama não ficasse retida e fluísse em direção ao mar, como preconizaram o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) do Espírito Santo, e do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBIO). Se não o fizesse, a multa seria de R$ 20 milhões e mais R$ 1 milhão por dia de descumprimento.
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No mesmo dia, o juiz federal Rodrigo Reiff Botelho recebeu da Samarco um pedido de liminar para cancelar a ação que determinava o barramento da lama, em oportunidade em que a empresa apresentou seu plano de recuperação e mitigação dos efeitos do vazamento. Com isso, o juiz declarou que não determinou barramentos no rio e sim resguardava a proteção aos ecossistemas, admitindo que a passagem da lama seria inevitável, mas poderia ser menos danosa. Afirmou também, que a Justiça Estadual é incompetente para julgar esse mérito, por ser o Doce uma bacia federal.
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Para isolar a fauna e a flora que vivem no entorno nas duas margens do rio e em algumas ilhas localizadas no estuário, 9 mil metros de barreiras feitas de lona 100% impermeável e fixadas no fundo do rio estão sendo instalados em sentido longitudinal, mas sem impedir a chegada dos rejeitos ao mar. As barreiras variam de 60 centímetros a  até 2,1 metros de altura, adaptadas de acordo com a profundidade de cada ponto de instalação. De acordo com a Samarco, as estruturas têm alta resistência e são capazes de suportar ventos de 20km/h e ondas de três metros. Quatro frentes de trabalho, com mais de 50 pessoas e diversas embarcações, atuam simultaneamente na instalação.
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Além dessas medidas, a Justiça do Espírito Santo determinou o imediato resgate de representantes de todas as espécies da fauna aquática nativa e que têm o rio como hábitat, com o intuito de salvaguardar a variedade genética, com exceção de espécies exóticas, devendo ser quantificados e catalogados, com amparo técnico e supervisão dos órgãos competentes. A empresa deverá também resgatar, imediatamente, ovos das tartarugas marinhas que podem ser afetadas pela mancha de contaminação.

Fonte: UAI noticias

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